RSS

Arquivo mensal: novembro 2011

Tem muito bicho que vale mais que muita gente

Gato dengoso

Minha irmã Bia e a Peste, todo dengoso

Ontem foi um dia inusitado. Às 7 da manhã lá estava eu no Hospital Veterinário da Ufba tentando que alguém me explicasse alguma coisa sobre o projeto de castração que eles têm por lá. Mini-reportagem pro jornal da Facom. Não foi exatamente o que eu consegui, já que o diretor tava viajando e o professor que criou a iniciativa tá fazendo doutorado ou pós-doutorado fora, mas foi sem dúvida uma experiência interessante.
Apesar de um pouco precário, achei o hospital maravilhoso. Pra quem não sabe, atendimento veterinário em clínicas custa uma fortuna. Por três dias que Chico ficou internado com um problema na bexiga, sendo que não foi preciso fazer cirurgia nem nada do tipo, minha mãe pagou 900 reais. Isso porque ela também é veterinária e supostamente o valor já tinha um descontinho. Portanto, se seu gato/cachorro/periquito/papagaio tiver qualquer treco, é bom ir preparando o bolso.
No hospital da Ufba, no entanto, é possível ter seu bichinho tratado por preços muito mais em conta. Não é que o tratamento particular seja uma extorsão, mas é que lá, além da verba federal e do trabalho dos estudantes, há uma série de parcerias com as fábricas de remédios e etc. O valor cobrado é realmente o mínimo possível. Lá, por exemplo, uma consulta é 25 reais, enquanto numa clínica você não paga menos de 50.
Na minha peregrinação por informações, conheci dona Luísa, sem dúvida uma das pessoas mais simpáticas que já encontrei. Seu gatinho Plank Júnior tava com o mesmo problema que meu Chiquinho teve, obstrução nas vias urinárias. Pra vocês terem noção, o coitado do Júnior tava há dois anos fazendo xixi por um buraquinho na barriga e todos os veterinários tavam impressionados pelo fato dele ter sobrevivido tanto tempo. Essa semana ele teve crise e tava todo entupidinho, fazendo xixi por uma sonda e tendo que ir lá todo dia pra tomar soro (o hospital não tem mais serviço de internação).
Dona Luísa passou horas contando a mim e à outra moça no ambulatório, com uma cadelinha linda com problemas no rim e no fígado, como Júnior era importante pra ela. Contou que pela casa toda havia fotos dele, que todos os dias de manhã, às 5h, ele vinha bater na porta do quarto dela, de como brincava com as coisas mais inimagináveis e do carinho tão grande que tinha por aqueles lindos olhos azuis. Era nítido o amor que havia entre os dois, assim como o modo com que Júnior tinha mudado a sua vida e como a fazia feliz. Não sei qual o resultado da situação, mas espero do fundo do meu coração que ele consiga se recuperar, por ele e também por ela. Com a chegada de mais uma moça com um poodle muito simpático que sofria de crises renais, nosso assunto foi parar nas pessoas que não conseguiam compreender tanto amor e nas que por pura crueldade maltratavam animais. Nossa conclusão foi unânime: tem muito bicho que vale muito mais do que muita gente.

 
3 Comentários

Publicado por em 30 de novembro de 2011 em Mundo cão

 

Vícios, Virtudes e coisas soltas

gandhi-oferecendo-massagem-a-um-leproso-no-salvagram-ashram-em-1940Gandhi sobre o cristianismo: “Não conheço ninguém que tenha feito mais para a humanidade do que Jesus. De fato, não há nada de errado no cristianismo. O problema são os cristãos. Nem começaram a viver segundo os seus próprios ensinamentos.”

Como toda regra tem exceção, conheço vários cristãos que vivem segundo os ensinamentos de Jesus, mas são minoria. A carapuça só cai em quem a consciência acusa (Criticar os maus é elogiar os bons).

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Esses dias eu estava com um colega de serviço e houve um problema de suposta agressão. Todavia, perante a ausência do Estado e sem os recursos para dar andamento na denúncia passamos a discutir a situação:

O que fazer para cumprir a Lei um vez que não havia condições para isso?
Então chegamos a uma conclusão neófita, leiga e ousada para fazer o melhor possível.
Uma frase foi citada: “In dubio pro reo”.

Quem diria que policiais fazem isso? Se preocupam até com o acusado.

Pois ainda há gente assim na PM, meus caros.

 
2 Comentários

Publicado por em 30 de novembro de 2011 em Falando Sério, Mundo cão

 

De Perna Bamba e Solta

Sabe a Mallu Magalhães? É! Aquela menina que começou a aparecer na televisão com 16 (ou -16) anos de idade com um jeito superesquisito, tocando todos os instrumentos do mundo, com um óculos maior que ela com uma voz esganiçada falando coisas sem nexo como ‘tchubaruba’ (ou algo assim).

Mallu Antes

Pois é! Nessa época em que conheci Mallu não gostei dela, não gostei da voz dela, não gostei do fato de ela, com 16, namorar um homem com mais de 30 e não gostei desse cara em específico, que é o Marcelo Camelo, porque eu não gosto dele mesmo (pronto, tá jogada a semente da discórdia)! Então eu deixei ela pra lá. Nunca mais procurei saber.

Essa semana eu comecei a ouvir o CD novo da Mallu, que tem o nome de Pitanga e o encarte lindo. Não sei porque. Vocês podem pensar que eu a vi na TV, mas quase eu não assisto TV e nessa ultima semana muito menos. Não foi a TV, pode ter sido o Facebook.

Mallu Hoje

Mas o fato é que eu não sei como, comecei a ouvir e acabei me descobrindo encantada por essa menina-mulher, que está muito mais madura musicalmente falando, sem gritinhos esganiçados nem palavras inventadas. Ao contrario ela canta num tom fácil de ouvir, coisas não tão fáceis de falar: declarações de amor, de ciume, de felicidade! Um CD realmente único, que aponta o talento que ainda está por florescer entre as cantoras do Brasil.

Sim ela continua com o Camelo, tá casada, alias. Não, eu ainda não gosto dele.

Voltando a Mallu e minha nova jóia – Pitanga – muitas das músicas falam  por mim. Mas hoje a minha favorita é “Velha e Louca”:

E ai? O que acharam?

 
3 Comentários

Publicado por em 29 de novembro de 2011 em Musicalizando

 

A Gravata Manchada

Ele estava lá. Hipnotizado por aquela banca de revistas pornográficas. Um homem muito velho preparava-se para recolher as coisas. Havia sido capturado pela música. Nunca tinha ouvido nada igual. Ele já estava a alguns metros da banca quando resolveu fazer a volta e observar o velho. E a música. Que tipo de banca de revistas pornográficas toca música daquele tipo? Era muito antiga. Instrumental. E alta. E havia o velho. Trocaram olhares constrangidos. Não queria parecer o tipo de pessoa que compra revistas pornográficas. Mas existe preconceito com quem não olha para elas. Outro dia ele estava sentado à espera da sua vez para cortar o cabelo quando recebeu uma pilha de revistas pornográficas antigas. Ele teve que folheá-las. Tentou concentrar-se nas matérias. Uma mulher falava sobre sexo oral. Voltou para o velho. Não achou que ele se importaria com sua aparente perversão. O velho mancava. Ele lembrou que precisava comprar uma coisa. Uma coisa que era importante para que um trabalho fosse feito. Lembrou daquele outro dia em que estava na fila da lanchonete e prestou atenção na conversa de 4 jovens. Queriam fazer marketing, ou administração. Nunca entendeu bem o que significava marketing, ou administração. Na mesma fila da lanchonete encontrou um jogador de futebol com sotaque paulista. Pensou no abismo financeiro entre os dois enquanto ouvia o jogador falar como uma pessoa de 12 anos. O velho estava ficando impaciente. Outro pervertido o salvou ao parar para comprar uma revista. Mas estava ficando tarde e ele precisava fazer o que tinha que ser feito. Vagou, então, em busca de algo que sabia que não ia encontrar. Sua gravata estava manchada. Só agora havia percebido. Parecia pasta de dente. Brilhava. Só poderia ser pasta. Deveria ser por aquilo que aquela velha havia olhado para ele com tanto desdém. Ou, talvez, por sua falta de zelo com os seus ralos pelos faciais. Ou, ainda, pelo seu cabelo oleoso e bagunçado. Mas as manchas brilhavam.  Ele tentou se lembrar da primeira vez em que teve que usar uma gravata enquanto andava por aquelas ruas que nunca havia andado antes. Havia algo fascinante naquele momento. Talvez fosse disso que ele precisasse. Coisas novas. Ficou melancólico ao lembrar o quanto havia mudado desde a primeira vez em que usou uma gravata. Mas naquele momento tudo parecia no lugar. Precisava prolongar o sentimento. Como nas vezes em que ouvia a mesma música por ao menos 50 vezes. Viu um antigo colega do primário que não o reconheceu. Lembrou-se da história do ótimo amarelo.

Estava na escola. No primário. Talvez a quarta série. Meu último ano de felicidade incondicional e inconsequente. Em todos os finais de unidade os alunos faziam uma auto avaliação seguindo conceitos pré-definidos pela escola. Os conceitos eram razoável, bom, muito bom e ótimo. Cada um dos conceitos tinha três níveis, amarelo, verde e vermelho. Amarelo significava “a conquistar”, verde significava “conquistando” e vermelho “conquistado”. Por exemplo, William poderia ser “muito bom amarelo”. Ele ainda não era muito bom, mas estava chegando lá. Ou poderia ser “bom verde”. Nesse caso, ele era quase bom. Era como se faltassem apenas detalhes para ele ser bom. Talvez se ele parasse de chegar 3 minutos atrasado, ou de escrever “muinto”.  Com o passar do tempo, os melhores alunos ficaram tímidos ao se declarar “ótimo vermelho” e se resumiam a apenas “OV”. Ninguém mais falava por sigla, apenas os “OV”. “OV” era status. Isso não interferia na nota, era apenas algo que vinha no boletim. Era uma espécie de análise do aluno como um todo. Era um rótulo. Notas, comportamento, assiduidade, etc. Sempre variei entre o bom e muito bom até a quarta série. Da quinta série em diante fui um desastre. Na mesma quarta série comecei a andar com os OV´s. Não eram chatos, jogavam bola e tudo mais. Porém, era o único do grupo que não tinha conceito “ótimo”. Certo dia, estávamos todos sentados à mesa para um trabalho em grupo e um deles falou que eu deveria me declarar ótimo na avaliação que estava por vir. “Se declare ótimo amarelo”. Outro completou em tom de brincadeira: “aqui na mesa só sentam ótimos”. Fiquei tentado em entrar para o grupo dos ótimos e achei que não era má idéia me declarar “ótimo amarelo”, afinal de contas, estava tirando boas notas e sentando na mesa deles. No dia da avaliação eu me declarei ótimo amarelo. A professora pareceu assustada. Esqueci de falar que no momento da declaração o professor aceitava ou rejeitava a auto avaliação na frente de toda a turma com justificativas bastante detalhadas e constrangedoras. Era embaraçoso. Ela rejeitou o meu pedido e disse que eu era “muito bom vermelho”. Não me lembro exatamente o que ela disse, mas soou como algo do tipo: “Você não acha que ótimo amarelo é um pouco demais? Vamos baixar a bola. Você melhorou, mas também não é um ótimo amarelo. Vou lhe dar um muito bom vermelho”. Também não lembro da reação dos meus colegas, mas é claro que eles não pararam de andar comigo. Até hoje não tenho coragem de me declarar ótimo. Quando alguém me elogia acho que estão de sacanagem. Tenho medo ainda de falar que sou ótimo e ser contrariado e sacaneado na frente dos meus coleguinhas. Claro que estou exagerando. É importante exercer auto crítica e tenho certeza de que os métodos da escolinha estão certos. Agradeço a professora por ter me colocado em meu lugar. Ótimo amarelo nunca mais.

Ele pensou que talvez não fosse bom o suficiente para usar uma gravata. Um OV não sujaria uma gravata de pasta de dentes. Um OV não estaria naquele momento fazendo o que ele estava fazendo. Procurando o que ele estava procurando. Não se encantaria com um velho decadente e dono de uma banca de revistas pornográficas. Nem sairia de casa com aquela aparência. Talvez fosse culpa da maldita professora. Onde ela estaria agora? Quem foi? Foi a de estudos sociais? A professora de estudos sociais era muito chata. Até que certo dia ela perguntou se ele não gostava dela. Ele disse que gostava. É a primeira mentira de que se lembra. A partir daí a professora passou a trata-lo bem. Houve um dia em que ela o colocou em seu colo. O que havia acontecido? Ele ainda não gostava dela. Aprendeu a mentir. Achava que havia sido ela. A primeira mulher a dizer que ele não era ótimo. O que ela diria se visse sua gravata naquele momento?

– Professora!

– Oi! Tudo bem?

– Tudo! E a senhora?

– O que é isso na sua gravata?

– É pasta de dentes. Sujou.

– Menino, não sai assim.

– Mas olha o nó. Fui eu que fiz.

Uma garota bonita olhou para ele. Sentiu-se melhor por alguns segundos. Pensou em se mudar e fascinar-se com cada banca de revistas que visse. Queria manter a sensação de novidade. Tirou o telefone do bolso e começou a falar consigo mesmo.

– Eu estive pensando em algumas coisas.

– É?

– É.

– E aí?

– Tudo que acontece é meio cíclico.

– Sim.

– Sabe? Dinheiro. Você não… Você não tem muito, mas tem o suficiente. O que seria suficiente. Na verdade é uma merda, mas é melhor do que a maioria. Talvez não a maioria, mas é um negócio que é digno. Na verdade não é uma merda e você se sente mal por ter pensado isso, mas se você olhar pra cima e se você pensar em termos de perspectiva e futuro, pode ser uma merda e você não pode comprar muitas coisas.

– Sabe o que eu acho?

– O que?

– Nada disso importa porque existem pessoas que estão fadadas a vegetar e você teve oportunidades na vida.

Voltou para onde deveria estar. Percebeu que não havia mais nada a ser feito. Fingiu falar ao telefone mais uma vez. Desta vez não disse nada. Entrou no carro e foi embora. Chegou em casa, lavou o cabelo e as manchas de pasta de dente da gravata. Lembrou dos colegas “ótimos” do primário. Certamente estariam bem. Gravatas imaculadas. Esqueceu da melodia da música e da fisionomia do velho da banca de revistas pornográficas. Estava decidido a conhecer coisas novas. Decidiu também que era hora de parar de usar gravatas. Pensou novamente na professora. Queria ver TV.

– Sabe o que eu lembrei hoje?

– O que?

– Imagina um rato correndo em um labirinto. Aí ele chega no final e não tem queijo. Acho que o Seinfeld fez uma piada sobre isso em um episódio. Sobre aquelas marcações das filas do banco. Você precisa dar aquelas voltas estúpidas mesmo quando não há ninguém na fila. Ele disse que se sentia como um rato no labirinto e que ao menos esperava o queijo no final.

– Lembra daquele livro, “Quem Mexeu no Meu Queijo?”?

– HAHA!

– Então, há um queijo?

– De qual queijo você está falando?

– O queijo do rato.

– Não, mas talvez ele não queira o queijo. Talvez não queira nada. O desejo do rato pelo queijo é uma afirmação forjada.

– Mas ele está no labirinto. O que significa que ele quer o queijo, ou, ao menos, algo no final.

– Talvez ele queira sair.

A TV a cabo havia cortado os seus canais favoritos. Não poderia mais assistir Seinfeld. Ele havia aprendido muitas coisas com Seinfeld. A piada da fila do banco havia despertado muitas sensações. Mais cedo, enquanto vagava, sentiu-se daquele jeito. Mas o velho o salvou. Deveria sempre haver algo que o distraísse. Crises implantadas.

– Eu estive pensando em algumas coisas.

– É?

– É.

– E aí?

– Tudo que acontece é meio cíclico.

Não tenho foco

Nunca tive

Sem foco

Não consigo respirar

 

Não tenho foco

Não mesmo

Vou tomar todo o seu

E me levantar

 

Não tenho foco

O que posso fazer?

O foco escapou

Está em você

 

Não tenho foco

Mas quem tem?

Você não tem foco

E caiu de um trem

Na manhã seguinte ele comia biscoito de chocolate. Começava a sentir-se enjoado. Uma amiga havia mandado ele parar de comer esses biscoitos. A sua frente estava outra pilha de coisas pendentes. Teria que vagar novamente. Desta vez, sem sair do lugar. Lembrou do velho da banca de revistas, do colega do primário, da professora, da garota bonita e de Seinfeld. Babou chocolate na gravata.

 
2 Comentários

Publicado por em 29 de novembro de 2011 em Match Point, Porta Retrato

 

Pois é, não foi.

quizila senatorial 3Vamos lá! Por mais que os metrosexuais estejam ocupando cada vez mais espaço com seus cremes, aulas de ioga, roupas de marca e perfumes caros, os ogros, brutos e beberrões estão aí por toda parte.

Cospem, se coçam, falam palavrão a ajudam a perpetuar a imagem do ‘machão’.
Isso pode ter colocado coisas na nossa cabeça desde a infância: a ligação pessoa bem vestida x beleza x perfume = pessoa bem sucedida (ou dependendo da idade, pessoa sexy, bom aluno, etc.).

Numa fila de banco, a menina bonita de cabelos molhados solicitou seu lugar do qual tinha saído por instantes para fazer umas perguntas à assistente de jaleco azul.
A fila de banco é única, não achei que fosse fazer tanta diferença ‘perder’ este lugar, mesmo não lembrando dela ter saído de lá.

Após a menina bonita de cabelos molhados, chegou o cara de capacete na mão. Barba por fazer e uma mochila enorme nas cosas. Além de roupa de motoqueiro.

A partir daí, uma mistura de perfumes foi tomando conta do ambiente. Um cheiro de perfume, outro de shampoo e outro agridoce, de cecê…

Aquilo que eu falava, que colocou coisas na nossa cabeça desde a infância, começou a deixar de fazer sentido.

Quanto mais o perfume desagradável aumentava, mais eu encostava na menina da frente. Com receio, claro, não queria parecer um psicopata viciado em cabelos.
Mas, quanto mais me aproximava dela, mais aumentava o cecê.

Era ela! Shampoo e falta de desodorante não foramaram uma mistura legal, o perfume vinha do motoqueiro.

Ela era bonita, bem vestida, ele deve ter tido um dia difícil e não conseguiu fazer a barba, e eu fui vítima do meu próprio preconceito.

 
1 comentário

Publicado por em 28 de novembro de 2011 em Chuta que é Macumba, Pior é na Guerra

 

Quem tem medo do lobo mau…?

Lobão - A vida é doce (1999)

Lobão - A vida é doce (1999)

Saudações, rapaziada! É com imenso prazer que venho postar mais um humilde review neste delicioso início de semana. Delicioso sim, por me saber sobrevivente ao turbulento final-de-semana. Um imenso prazer, por estar oferecendo algumas poucas palavras sobre este artista que sempre esteve em minhas discografias. Lobão, sempre polêmico, sempre uma novidade, para tantos só quer chamar a atenção para si, mas o importante é que ele continua produzindo e trazendo boa música para seus bons ouvintes.

Lá pelas idas de 1999, eu retornava da IMUCSal após uma tediosa manhã de aula acadêmica, de alguma disciplina extra-curricular que não me recordo agora, e resolvo parar em alguma banca de revistas para comprar cigarros. Uma revista em forma de vinil me chama a atenção. Lobão acabara de lançar o álbum independente A vida é doce. R$9,90 = cd + revista. Obviamente, pirei. Mas tive que ir ao banco, sacar dez conto e retornar à banca para pegar minha cópia. Volto para casa e imediatamente ponho o cd para tocar. 50 minutos muito prazerosos, sim.

A vida é doce é um álbum independente, afinal, depois de brigar com meio-mundo-de-gente, ninguém quis gravar seu repertório. Coitado, conseguiu vender 97 mil cópias, de acordo com a wikipédia. E todos numerados, pois assim poderia haver uma melhor equidade no que se refere a valores destinados aos artistas. A revista lançada pelo seu próprio selo UP (Universo Paralelo) trazia fotos, letras, entrevista… Um brinco (não o penduricalho, po…)! Legal, não? Tudo por R$9,90! Tapa na orelha de gravadoras!

Logo de cara, na primeira faixa do álbum, El desdichado II, uma letra pesada, onde se escuta “Eu sou a execução, a perfuração, o terror da próxima edição dos jornais que me gritam, me devassam e me silenciam” e “Eu sou a bala que voa pra sempre, sem rumo, perdida“. Quer mais? Ok.

Na quarta faixa, Tão menina, é contada a realidade dessa menina (que menina? quem é?) diante das palavras “Na medida que a vida vinha e atropelava, carregou todos os seus sonhos como pôde até assistir, um por um, desmoronados“. Triste isso, heim? Quer mais? Ok.

A faixa seguinte, que dá nome ao álbum, A vida é doce, nos faz mergulhar num clima bem adoecido, bem recheado de ironia e mágoa, e são lançadas as bombas: “E de repente o telefone toca e é você do outro lado me ligando, devolvendo minha insônia, minhas bobagens, pra me lembrar que eu fui a coisa mais brega que pousou na tua sopa! Me perdoa daquela expressão pré-fabricada de tédio, tão canastrona que nunca funcionou nem funciona! Me perdoa, a vida é doce…“. Que terror, heim? E ele não pára!!

Na sexta faixa, Uma delicada forma de calor, tem convidado! Ninguém menos que Zeca Baleiro. E juntos cantam “Eu tô chovendo muito mais do que lá fora. Lá fora é só água caindo enquanto aqui dentro, cai a chuva” e apunhalam: “E, como um deus que não se vence nunca, o seu olhar não consegue perceber como uma chuva, uma tristeza, podem ser uma beleza e o frio, uma delicada forma de calor“.

A nona faixa, Vou te levar, a mais bonitinha para os corações apaixonados, talvez uma das mais escutadas no Acústico MTV (2007), nos traz também um clima suficientemente nostálgico, enquanto canta “Retratos estampados do nosso amor, em preto e branco, pregados na parede, revelando pra sempre a gente, nosso orgulho um do outro, olhando pra lente como quem dissesse: “não queremos mais nada nesse mundo” “.

Depois de tanto apunhalar, é tempo de dar uma respirada… E chutar o balde! A décima faixa, intitulada Mais uma vez, nos dá esta impressão de puxa-e-empurra, da vingança que é prato a ser comido frio, nas palavras “Às vezes é melhor sorrir, imaginar… Às vezes é melhor não insistir, deixar rolar e tratar as sombras com ternura, o medo com ternura e esperar…“, pra depois “Às vezes é melhor deixar o grito escapar… Às vezes é melhor perder o controle e desabar, e quebrar todas as promessas e atacar!“. Ufaaaaaa!! Depois de tudo isso, uma última faixazinha instrumental pra relaxar… Relaxar? Bem, há quem relaxe. A última faixa me faz mergulhar em tensão, mas só se o álbum for ouvido do começo ao fim. Que tal reservar uns 50 minutinhos da segunda-feira para este compromisso? Eu recomendo!

Até breve, pessoas!

 

Um link para o álbum: http://www.megaupload.com/?d=FDDA5FUH

 
1 comentário

Publicado por em 28 de novembro de 2011 em Musicalizando

 

Todo mundo espera alguma coisa

 

… “de um sábado a noite” vocês me completariam, mas não é do sábado que se espera não… é da velha e cansada sexta mesmo! Olha só: A Joana esperava um encontro com o Ricardo, a Fernanda uma balada quente, a Juliana um novo filho, a Mariana um happy hour pra relaxar com os amigos, a Bruna se encontrar com as amigas para desabafar sobre o complicado relacionamento, o Lucas beber com os caras para esquecer da briga com a Bruna e o Rui esperava por fim, que eu postasse algo.

Bom, meus caros… tenho que contar que o Ricardo deu bolo na Joana e se juntou com o Lucas pra beber, só que Lucas bebeu foi água com gás pra passar a raiva e tascou a chorar no bar contando a briga com Bruna que ficou em casa assistindo filme romântico e ganhando mais calorias com brigadeiro, guaraná e pipoca;Fernanda tomou foi uma ducha fria; Juliana não teve outro filho foi só um sonho e Mariana de tão cansada dormiu no sofá de casa vendo a novela, por fim: O Rui mandou mensagem pro meu celular e eu que já nem sabia que hoje era sexta, nem esperava mais nada, nem ninguém, acabei saindo com as pessoas menos prováveis para essa noite, dei risada, bebi e voltei pra casa pra postar na sexta.. só que já é madrugada. Acabou-se a sexta e você que esperava meu post numa sexta a noite foi dormir sem me ver postar.

Apois, como seria bom se tudo se passasse num domingo… eu estaria como a Bruna em casa e teria vindo postar antes da 00:00… eu acho!

Não sei bem porque as sextas-feiras tem essas caras de “tudo pode mudar!”… não, já disse que não é do sábado que estou falando!! Mas, que insistência! É da bonita sexta mesmo… aquela barreira de semana e final de semana que faz todo bom soteropolitano samaritano sorrir quando olha no calendário ela chegar. Aqueeela que faz o namorado ter a última chance de sair com os amigos na semana ou, se não, ele vai parar numa sala de cinema pra ver comédia romântica mais uma vez. Sabe qual é? A que a mãe prepara a mochila das crianças não pra eles irem pra escola, mas pra passar o final de semana na casa do pai. A que eu fazia minha mochila go SSA e a que você quando era mais novo separava a parte do assunto que ia cair na prova do sábado de manhã cedinho! A que me avisava que na manhã seguinte teria que hablar español ou, nada melhor que ser aqueeeeela que te diz: pode dormir amanhã até mais tarde!

 

mmmm… dessa você lembra? E não é que ela já se foi! Agora está lá abandonado em meu quarto o meu salto alto da noite como resquícios de que ela passou por mim – ou eu passei por ela, não sei e como prova viva de que ela existiu, mesmo eu fugindo do todo e não dando nadica pela sua formusura. Sexta, sua delícia… foi muito bom estar com você, mas já disse que meu borogódó, meu ticoticonofubá, minha paixão primeira, meu ziriguidum é com o domingo! So sorry!

 

 

ps: era (se hoje fosse sexta) bom deixar aqui informado que essa imagem não me pertence, foi o velho amigo google quem me deu na sexta… ele é danado… vive me dando essas coisas… e presente dado com carinho assim a gente não pode negar, né senhora formalidade? kisses que agora vou dormir… vou dormir até mais tarde!

 
Deixe um comentário

Publicado por em 26 de novembro de 2011 em Porta Retrato