RSS

Arquivo mensal: janeiro 2012

Tenho 5 anos

Me lembro de quando tinha 5 anos. Lembro de chegar na garagem do prédio e pensar:

– Eu tenho 5 anos. Eu moro no 5º andar. Meu apartamento é 502.

Eu não queria fazer 6 anos e perder esse equilíbrio. Eu fazia essa reflexão quase todos os dias. E perto de fazer 6 anos eu passei a querer aproveitar esses últimos momentos.

– Daqui a uma semana eu não terei mais 5 anos.

 Aí eu fazia força com a cabeça para tentar aproveitar fisicamente o momento. Tentando capturar a sensação.

– Não quero entrar no elevador. Estou agora com 5 anos entrando na garagem. E aqui está a marcação do nosso apartamento, 502. Eu ainda estou no carro. Isso está acontecendo agora.

Já mais velho, às vezes eu tinha sensação de infância. Algum cheiro, ou fagulha de pensamento, me dava à impressão de ser criança. E eu queria manter essa sensação. Agarrava-me as pernas dela. Fazia força como quando tinha 5 anos. Sempre ia embora.

Tenho uma lembrança marcante da infância. Havia uma menina. E havia um flerte eterno. Anos e anos. Era aniversário de alguém, ou alguma outra festa. Eu vi esse garoto apanhando de dois outros garotos maiores. Fui até lá e o defendi. Os garotos maiores fugiram. Olhei para cima e ela estava lá, me observando. Foi um dos pontos altos da minha existência.

Eu sou extremamente imaturo. Sentado aqui pensando nas sensações que não tenho mais. Comprei um Playstation 2. Veio outra lembrança. Outra garota. Mais bonita.

– Você ta namorando o marcus, não é?

– Deus me livre!

Ela não estava. Não saí com as crianças naquela tarde. Joguei Zelda no nintendo 64. Salvei a princesa.

Eu ainda como biscoito de goiaba da piraquê.  Ainda rio quando dizem “anais”.  Porém, não tenho mais paciência para esperar as estorinhas dos jogos. O que é tudo aquilo no começo de GTA San Andreas? Parece um filme ruim do Spike Lee. Provavelmente só jogarei Pro Evolution Soccer. Vou começar um campeonato.

Meu pai já tinha 30 filhos com a minha idade. Eu sou uma criança. As coisas precisam mudar. Se eu conseguisse criar uma barba talvez as coisas fossem mais fáceis. Talvez me respeitassem mais. Eu poderia alugar um apartamento. Eu vou. E criar barba. Vou ser o vizinho jovem e maduro que tem um fusca e usa barba. E vou tomar as decisões. E vou ser mais sério. Não era isso que eu esperava quando tinha 5 anos. Ficaria envergonhado. Meu aniversário está relativamente perto. Desta vez não existe mais equilíbrio a ser mantido. Não há. E talvez nunca houve.

Anúncios
 
Deixe um comentário

Publicado por em 31 de janeiro de 2012 em Match Point, Porta Retrato

 

Carnavais

Imagem divulgada por recifenses no facebook - Direcionadas pra mim!

Ser Baiana em Recife não é fácil, mas não é de todo ruim. Muita coisa é diferente daquela que estou acostumada, que cresci sabendo, mas na maioria essas coisas são legais também. Apesar de não poder chamar macaxeira de aimpim, jerimum de abobora, feijão macassa de feijão de corda, entre várias outras, normalmente lido bem com as diferenças, acho até interessante o fato de tomarem caldo de mocotó na praia, e vou levando a vida. Aprendi a lidar com a megalomania pernambucana (o maior do mundo, a veneza brasileira, o melhor, a maior avenida, o maior e melhor, etc..) na maioria das situações, mas durante essas semanas que antecedem o carnaval não tem quem aguente.

Logo que percebem que não sou daqui perguntam e me perguntam de onde sou, após ouvirem minha resposta, em 99% das vezes a frase que se segue é: “- O Carnaval daqui é melhor!” Ora Porra! Eu não perguntei o que você achava do carnaval de lá, ou o daqui! Tenho várias respostas para esse tipo de situação: 1 – Quando não conheço a pessoa e/ou não quero discutir: “Gosto é que nem cabelo” ou “Cada pessoa tem a sua opinião”. 2- Quando já tenho alguma intimidade com a pessoa: “É melhor coisa nenhuma, se fosse melhor, nas prévias de vocês não tinha cantor da Bahia”. 3- Quando to abusada dessa história de comparação de carnaval: “Meu filho!!! Você quer fazer o favor de deixar o carnaval da Bahia em paz??? Você acha que lá, o povo tá preocupado se o carnaval é melhor que o daqui, o do Rio de Janeiro, o de Veneza (a verdadeira) ou de qualquer outro canto desse mundo?? O povo lá só quer se divertir. Se divirta aqui e pronto! Oxe!”

Normalmente o que se segue é: Porque o nosso carnaval é multicultural, porque toca de tudo, perere e caixinha de fosforo. Pra começar, de tudo num toca, porque não toca axé, nem pagode. Depois que normalmente consiste em meia duzia de musicas que se repetem todo ano. Tá tá, é bonito, é colorido ,não tem corda. É interessante. Mas essa marcação cerrada com o carnaval da Bahia realmente tira o gosto da coisa, para nós baianos. Porque se a gente resolver curtir o carnaval ainda ficam passando na cara: Seu carnaval num é o bom, tá vendo que o daqui é melhor!

Não! Não to vendo! Não é melhor! Ambos são bons! Eu cresci na Bahia, prefiro o de lá, não quer dizer que não goste do daqui, que não tente dance frevo, que não ame maracatu. Eu sei que existe toda uma industria do carnaval na Bahia, mas vou dizer uma coisa aqui, nunca sai em bloco nenhum em salvador. Saio todo dia de carnaval na Pipoca e nunca fui assaltada nem me envolvi em briga e me divirto muito. DE GRAÇA. E Toca de tudo de verdade: axé, pagode, arrocha, sertanejo (eca), rock, eletronico, mpb, etc… em 3 circuitos oficiais e vários outros alternativos. Não quer dizer que seja melhor que o de Recife pra mim é. Só quer dizer que eu gosto de ouvir “imagina só que loucura essa mistura” e arrepiar até o ultimo fio de cabelo. E por favor, parem de querer me fazer sentir culpada por isso!!

Obrigada.

 
4 Comentários

Publicado por em 31 de janeiro de 2012 em Falando Sério, Pior é na Guerra

 

Nascido da mágoa?

Otto - Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos (2009)

Otto - Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos (2009)

Bem, assim rezou a lenda criada a partir do lançamento do álbum independente Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos, do pernambucano Otto. Lenda: Otto e Alessandra Negrini se divorciaram face adultério cometido por ela com Wagner Moura. Isso serve de inspiração vingativa para o lançamento desse álbum, recheado de músicas e letras tensas, ao que se refere à mágoa da traição. Ponto. Agora os fatos: Houve realmente a separação entre o pernambucano e a atriz global. Depois Otto lança o álbum. Ponto. Acredite quem quiser, mas as letras dão o toque de realidade à lenda, para aqueles que querem alimentar a crença. Mas além de gostar muito deste álbum solo do ex-percussionista da Nação Zumbi e do Mundo Livre S/A, vim postar este por conta da próxima quinta-feita, 2 de Fevereiro, dia de Iemanjá! E Otto compôs uma música em homenagem ao dia! A terceira faixa, desde a quinta-feira passada, vem dando uns pitacos em meus ouvidos: “Lá em Rio Vermelho, em Salvador, vamos dançar! Dia 2 de fevereiro, dia de Iemanjá, leve mimos pra sereia Janaína Iemanjá“. Apesar de não ser um seguidor adepto da festa (fui poucas vezes), é uma festa boa de encontrar os amigos, curtir o clima, desopilação para o dia inteiro. E para os crentes, obviamente não há como deixar de levar o seu presente para Iemanjá, né? Outra coisa legal do álbum é o próprio nome, retirado de um livro de Franz Kafka, A Metamorfose, que começa assim: “Certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, Gregório Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto“.

Mas a verdade é que o álbum, em si, não é muito alegre, não. Logo na faixa de abertura, Crua, Otto começa a largar pedradas iniciais: “Dificilmente se arranca lembrança, lembrança, lembrança, lembrança… Por isso da primeira vez dói, por isso não se esqueça: dói! E ter que acreditar num caso sério e na melancolia que dizia. Mas naquela noite que eu chamei, você fodia, de noite, de dia“. É, dá pra alimentar a lenda…

Logo depois, na segunda faixa, O leite, ele chama a primeira participação especial do álbum, a cantora CéU com sua vozinha mansinha, que o ajuda na pedrada: “Quando eu sai da tua vida bati a porta, saí morrendo de medo do desejo de ficar“. Mas não é uma predileta pra mim, não.

A quarta faixa, Meu mundo, Otto traz a participação especialíssima de Lirinha, ex-Cordel do Fogo Encantado. Quase um remix, muitos efeitos, e mais pedradas com Lirinha recitando “O desejo é um tempo parado / É quando se trocam as datas dos bichos e das flores / É quando aumenta a rachadura da velha parede / É quando se vira a folha, a folha da história / É quando se pinta um fio branco na cabeleira preta / É quando se endurece o rastro de sorriso / No canto dos olhos / Eu sei que a viagem é longa / A voz vai e vem: Você tá aí? Você tá aí? / Ei, você tá aí? Vontade de abraçar o infinito“. É… Complicado…

E vem a minha predileta! 6 minutos! Essa é pra morrer, parafraseando a própria letra. rs. Essa faixa tem um peso lindo, em letra e música, para despertar mágoas antigas e amarguras na cabeça de qualquer um que as mantenha. Olha que pedrada preciosa: “Nasceram flores num canto de um quarto escuro / Mas eu te juro, são flores de um longo inverno / Isso é pra morrer / 6 minutos / Instantes acabam a eternidade / Isso é pra viver / Momentos únicos / Bem junto na cama de um quarto de hotel / E você me falou de uma casa pequena / Com uma varanda, chamando as crianças pra jantar“. Dói.

Otto nos traz ainda um cover antigo e muito famoso de Sérgio Bittencourt, Naquela mesa. Ainda assim, prefiro a versão clássica cantada na voz de Nelson Gonçalves. “Eu não sabia que doía tanto / Uma mesa num canto, uma casa e um jardim / Se eu soubesse o quanto dói a vida / Essa dor tão doída, não doía assim“.

Enfim, um álbum solo muito bom de Otto e que vale muito a pena conferir, do começo ao fim. Baxaí e ova 40 minutinhos de bom som! E até breve!

Link para o álbum: http://www.mediafire.com/?5c1y762ypd1mu4i

 
5 Comentários

Publicado por em 30 de janeiro de 2012 em Musicalizando

 

Calma, calma, foguetinha

Eu, quando criança, era o capeta em pessoa. Ainda mais nas férias, quando juntava as idéias maquiavélicas dos pivetes da cidade com as idéias dos pivetes do interior, aí sim que eu fazia merda toda hora.

diabinho anjinho

Quem seria eu?

Uma vez o jardineiro da casa de Brother capinou o terreno todinho, e juntou uma pilha enorme de folhas, troncos e gravetos perto da casa.
Os dias passaram, ninguém recolheu e o sol quente do verão secou tudo.

capeta

O capeta

Não deu outra. Resolvemos fazer uma fogueira com aquilo.
Acendi uma ponta de um graveto. Em poucos segundos, o fogo tomou todo o monte de lixo se transformou num fogaréu de dar inveja a São João e São Pedro.

criança fogo

Pra nossa “sorte”, começou a soprar um vento forte, e cinzas começaram a voar todas pra casa de Brother.
A mãe dele ficou louca!

Era balde d’água, mangueira, e nada do fogo apagar.
Acabou morrendo por si só, mesmo assim eu acabei de castigo e a casa de Mãe do Brother parecia Pompéia, de tão cheia de cinzas que ficou.

guri fogo

Outra vez foi nas redondezas do condomínio. O fogo tomou proporções que é melhor eu não continuar pra não me complicar.

 
1 comentário

Publicado por em 30 de janeiro de 2012 em Chuta que é Macumba, Porta Retrato, WTF?!

 

Essa foi por pouco

Confesso aos poucos que Lêem o pouco que escrevo que, por força das circunstâncias, tenho escrito ainda menos e, por isso, peço desculpas aos poucos por tão pouco. Este momento em que devia estar dormindo eu reservei, hoje, pra tentar ocupar este espaço que eu mesmo criei. Minha vida anda tão corrida quanto a sua que agora me lê aí do outro lado, seja lá de que lado estiver. Tenho tentado fazer meu mundo girar e julgo estar conseguindo, pois até tonto eu já me sinto. Sinto-me cansado da labuta e de muito mais coisa que as coisas são e que as coisas fazem, mas, como disse, vou aqui tentar fazer algo diferente.

ampulheta deitada

Hoje sou diferente. Sou mais eu que nunca.
A liberdade sempre vem com ares de apreensão.
Ao se criar asas, sempre se tem medo da altura.
Mas o tempo se encarrega de tudo.
Tudo passa, menos o tempo que está sempre passando.
Sou livre! Vôo a qualquer parte ou a parte alguma.
Escolho o que quiser ou não escolho nada, se assim escolher.
Sem medo semeio cada dia e me recolho a cada noite.
Não há mistério porque não o procuro. Não acho nada.
Hoje acredito em mim, me entendo e absolvo-me.
Tudo é muito vasto, muito vago, imensidão…
Não se deve pagar com a própria vida,
É um preço muito alto pra qualquer dúvida.
Deixo o que passou passar.
Não prevejo meu futuro, mas vou escrevendo meu caminho.
O vazio que sentia era a minha falta.
Ah, que falta que a gente se faz!
Sou feliz ao acaso, por acaso, a esmo.
A hora vai chegar, ela sempre chega na hora.
Não estou esperando nada, por isso não tenho pressa.
Vivo cada hora que chega, fica e passa.
E, quando ela passa não me importa mais, pois já passou.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 26 de janeiro de 2012 em Licença Poética, Porta Retrato, Pseudo Cult

 

Cansei de ser gato

gato camuflado

Agora sou expert em camuflagem!

Meu sobrinho, Bigode

 
Deixe um comentário

Publicado por em 25 de janeiro de 2012 em Mundo cão

 

Educação e educação

E vai continuar assim...

E vai continuar assim...


Eu gosto de futebol porque o povo corre pra assistir e a net (aqui na roça) fica mais rápida pra mim. Mas a população sente algo que eu costumo chamar de doença. Não é possível que exista briga por motivos tão banais. Discussões sobre qual o BBB favorito, qual o melhor time… enquanto a situação continua ruim. Nada melhora e ficamos no famoso panis et circenses.

Estudar é até gostoso, mas a escola conseguiu estragar isso de maneira que o trauma é grande e sempre parece chato. Não era pra ser. Estudar é e sempre deveria ser um prazer.
Veja o que quero dizer olhando alguns videos:

Mas… mudando de assunto, quem é que botou ordem naquela maneabilidade?! Esse selva aí que tá correndo ao lado da galera em forma.
Como diria o Capitão Nascimento: “Xeriiiiiiiiiiiiiiifê”.
Só que esse aí diz assim: “Senhor! Eu INsisto, senhor!”

tropa em ordem

 
Deixe um comentário

Publicado por em 25 de janeiro de 2012 em Falando Sério