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Arquivo mensal: março 2012

Onde fica Pasárgada?

Passei até os últimos milésimos de segundos de minha vida na menina Feira da Santana proferindo a seguinte frase em alto e bom tom “Queta com essa história de ficar aqui! Aqui não fico mais não”. Verdade que nunca sonhei em voltar para todo sempre, amém para Salvador. but. não pensava que voltar pra cá faria uma bagunça danada em meus planos e coração.

Ontem foi aniversário de SSA e, egoísta que sou na mesma dose que qualquer outra pessoa, só soube pensar em minha vida aqui. Todos os dias quando pego o trânsito da cidade, o calor do verão que não deixa o outono chegar de verdade, o cheiro de mijo em todos os pontos e o lixo… fora a violência, a ignorância de algumas pessoas, o ritmo louco de todos os dias… etcétera, etcétera, etcétera… Daí fico na saudade dos dias que tinha saudade daqui, das madrugadas e das noites sem muitos carros, das férias diferentes de todas as outras universidades e que me davam um porto da barra só para mim!

A minha Pasárgada já não tem os mares que o português Tomé de Souza chamou de São Salvador… a sua água azul e morninha ainda me encanta, mas não é ela que eu frequento todos os dias, entende? Meus sonhos cansaram de sua morada, fizeram uma zona interminável em meu quarto, desestruturaram minha motivação de ficar no colo de mãe e agora clama pelo vício de pegar estrada, de um acelerar que pouco me deixa dormir,de uma bicicleta que não ganhei, de um tempo mais friozinho e de uma casa de uma dona só.

Agora, onde e quando vou conseguir encontrar o meu novo paraíso… aí já não sei!

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Publicado por em 31 de março de 2012 em Mundo cão, Pior é na Guerra, Porta Retrato

 

Sertão

cipó bahia

Sertão

Nasci e me criei lá no Sertão.
Foi lá que aprendi a Sertão…
A Sertão forte, a Sertão digno e a Sertão feliz.
Se o Sertão é seco, é porque levamos toda a água nos óio e
Quando de lá estamos longe, irrigamos nossa terra com a oftoirrigação.
Mas as coisa por lá tão miorano,
Depois que as pranta da Caatinga fundaro uma tar associação.
Eu já vi Cabeça-de-frade dando luzes e Unha de gato manicure,
Se arrumando pra reunião com São Pedro, pra trazer água pra região.
Quem já ouviu o baruiu da inxada no chão seco e quente não se esquece…
Aprendemos a lição e batemos com a enxada do coração no chão seco da nossa mente.
Já vi Mandacaru morrer de sede no meio do verão…
Mas nunca hei de ver um cabra sertanejo deixando de sertão…
Sertão forte, Sertão digno e Sertão feliz.

* * *

Esse foi o primeiro poema que escrevi e por esse motivo tenho um carinho especial por estes versos. Foi onde percebi que não precisava de rimas pra me fazer lido em poesia.
Foi aqui que descobri o prazer de discorrer meus pensamentos e deixá-los, livres, fazerem o seu papel, onde notei que na ponta do lápis tudo ficava preto no branco, onde, pela primeira vez, me deparei com minha verdade em tons grafite.
Foi aqui que tudo isso que não se sabe o quê ou, ao menos, o porquê começou…

Este poema foi escrito em homenagem a minha adorada cidade – Cipó-Ba – e a todos aqueles que, assim como eu, nasceram, cresceram, estudaram, moraram, veranearam, enfim, tiveram uma relação mais íntima com essa terrinha abençoada.
É dedicada a todos aqueles que ao invés de criar raízes, escolheram criar asas. Asas para voar alto, desbravar fronteiras e descobrir o quão grande pode ser o mundo e a nós mesmos e que, depois de tudo isso, descobriram o quanto é bom voltar para nosso ninho, nossa terra, nossa referência, nossa Cipó…
É dedicada a todos que:
– viram ou participaram da Semana Cultural;
– jogaram bola no Campo da Sucata, apostado geladinho ou tubaína;
– tocaram violão com a turma reunida nos degraus do Grande Hotel;
– participaram dos luais na Praia do Rio; tomaram banho na cascata de madrugada;
– comeram jaca nas noites de terça-feira;
– que conheceram o Zé da galinha, o lendário Bode biriba e a sedutora Madame Ray.

Não sei bem pra onde vou, sequer sei o rumo da minha romaria, mas sei que, logo ou talvez um dia, estarei em meu canto, minha terra, minha fortaleza, minha Cipó.
Vitor, você pediu e aqui está o poema de que tanto gosta.
Abraço, meu velho

 
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Publicado por em 29 de março de 2012 em Licença Poética, Porta Retrato

 

Homem elipse e sua ereção metafórica

Ele continuava mastigando a carne. Já estava fria. E dura. Muito dura. Não sentia mais prazer em comer. Só queria engolir. Seu maxilar começava a doer. Ela, por sua vez, ainda estava atônita com o que acabara de ouvir.

– Eu tenho uma ereção metafórica e não há nada que eu possa fazer para me satisfazer.

Comiam no restaurante de sempre. Sentavam perto da rua. Ele desabafou e continuou a comer a sua carne. O homem cagado passou por eles. Vivia naquele bairro. Cagado. Andava de um lado para o outro. Todos os dias. Andava e andava, ia e voltava. Parecia que nunca parava. Homem elipse nunca havia visto homem cagado parar. Nunca.

– Somos que nem ele.

Ela entendeu tudo. Eram assim. Ela entendia a ereção metafórica. Sentia a mesma coisa.

– Estamos perdidos.

 
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Publicado por em 27 de março de 2012 em Match Point, Pseudo Cult

 

Obrigado, você!

João Bosco - Obrigado, gente! (2006)

João Bosco - Obrigado, gente! (2006)

Quem não conhece algum trabalho desse mestre da MPB, bom sujeito não é. rs. Neste álbum ao vivo, gravado em 2006 (15 e 16 de Fevereiro) no novo teatro do Ibirapuera, em São Paulo, aos 60 anos, entitulado Obrigado, gente!, João Bosco nos traz antigas canções de álbuns antigos, e chama ao palco convidados especialíssimos, tais como Djavan, Guinga, Hamilton de Hollanda e Yamandu Costa! E se a musicalidade de João não for o suficiente (ahn?), basta preparar os ouvidos para a incrível banda que o acompanha na apresentação. Ai de mim, que sempre curti o som desse “rapaz”, e nunca estive numa apresentação dele… Mas um dia ainda há de acontecer! Todos os anos, algumas vezes mais de uma vez no ano, ele dá um pulinho nessa terra e brilha mais uma vez no palco. Um dia, estarei lá no público.

Bem verdade que conheci primeiro o show em DVD, há alguns anos, durante uma festa na casa de amigos. Obviamente, enquanto o pessoal enchia a lata (ou esvaziava, mas enfim…), lá estava eu com os olhos pregados na gigantesca tv de quase trinta polegadas, e ouvidos atentos ao som límpido que saía do home theater alheio. E esta apresentação é, sem dúvida, uma experiência musical única, maravilhosa.

Maravilhosas também são as participações de Guinga em Saída de emergência, Yamandu Costa em Benzetacil, Hamilton de Hollanda em Linha de Passe, e Djavan em Corsário. Muito bom! Ainda assim, uma das minhas prediletas do álbum é O ronco da cuíca. Dá uma conferida!

Bem, fica a dica pra esta semana! Uma horinha e vinte minutinhos de boa música para os de bom gosto. Obrigado, gente! Até breve!

Link para João Bosco: http://www.mediafire.com/?x5jv8se25t4xwm9

 
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Publicado por em 26 de março de 2012 em Musicalizando

 

Mosaico

Alegria, tristeza, saúde, doença, sol, chuva, frio, calor, noite, dia… A vida é mesmo um mosaico, um quadro bem grande e colorido onde as cores se completam.
Neste quebra-cabeça, é necessário viver dias cinzas ou sem cores porque, juntamente com os dias coloridos, sua imagem vai se formando.
A vida é uma obra de arte.
Vamos vivendo e colando lá os pedacinhos, dia após dia.
É só você se afastar um pouquinho e observar de longe.
Como ficou lindo o cinza, o branco, o preto… tudo misturado às cores abertas e alegres…
Que os dias cinzas não se demorem, mas que eles aconteçam.
Já vivi vários dias bem escuros e sem cores quem me conhece sabe bem, hoje agradeço a Deus o colorido que me cerca!!

mosaico moinho

 
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Publicado por em 26 de março de 2012 em Porta Retrato, Pseudo Cult

 

Porque eu nunca arrumo as malas…

Confesso: detesto o seu eu escritor que de tão prepotente fala de nós dois como se fosse o dono da verdade. Nossa exatidão, nem você, nem eu e muito menos essa Tati Bernardi encontraria uma soma. De uma forma meio torta somos reflexos que riem como se houvesse eco, irritam-se como joão bobo [indo e voltando] ao apanhar, cantam no ventilador em dias de muito calor, pisam destrambelhados nas poças d’água em dias de chuva, erram as miras ao jogar os pratos e não choram. O sinal de igual falaria muito mais de nós dois do que pensamos e, é por isso, que não há acréscimos, nem diminuições na nossa história.
Você já me mandou muitas cartas e mensagens faltando letras em madrugadas sem datas marcadas e, não vou mentir, todas me pareceram muito clichês. Clichê também é esse seu blog e os suspiros arrancados das inúmeras garotas que por conta das suas fantasias mais sacanas ainda chegam a ficar de quatro por você. Nada disso me importa muito e, ao mesmo tempo, me irrita. Poucas mensagens te respondi e as suas cartas estão guardadas em qualquer caixa em meu guarda-roupa junto com outras que ganhava de amores platônicos dos nerds da escola até os meus… sei lá, quinze anos. Da mesma maneira, é detestável saber que nem sempre o eu-lírico dos seus textos corresponde ao ser real que me leva pra cama durante ataques de amnésias de ambos do término no dia anterior.
Mas, a maior verdade de todas é que continuaremos como gatos com mais de sete vidas matando e ressuscitando esse relacionamento até o dia em que encontrarmos uma justificativa cabível pra você me deixar partir e da minha pessoa fazer um maior esforço em arrumar as malas. Nossa vaidade infla quando dizemos que não precisamos um do outro só que eu também não deixo de olhar por cima do meu ombro quando vejo alguma garota se atirar em seus braços e me toco que ela não sou eu. Sinto sua falta subitamente como criança que só lembra do brinquedo quando vê outra criança querendo brincar com ele. Nessas horas, nossos atos voltam a ser impensados, inconsequentes e insanos e esquecemos por alguns minutos que você não é lá muito charmoso e que eu não faço o seu tipo.
Confesso mais: prefiro o nosso nada à falta que podemos ser afastados. Como já diria Gessinger, “na verdade nada é uma palavra esperando tradução”. Sim, meu querido, faço charme ignorando os seus textos com minha cara mais sem vergonha de desdém… mas, entendo todos. Entendo até do seu silêncio e das vírgulas que esquece de pôr. E, por causa dessas coisas, entre outras, que hoje resolvi te responder e contar entre as reticências que adoro o fato de você não me deixar ir embora enquanto não encontramos a tradução da palavra “nada”.
Ps: espero que tenha retirado das fotos mais de um dos meus sorrisos…

 

** texto inspirado numa postagem do “entre todas as coisas” : Porque eu não posso deixar você ir embora de Daniel Bovolento

Sem falsa modéstia.. achei que cês fossem gostar! =)

 
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Publicado por em 23 de março de 2012 em Guerra dos Sexos

 

Riso Raso

Fotografia de Gilmar Linhares

Fotografia de Gilmar Linhares

Os afluentes deste rio são meus entes queridos.
Queridos outrora e que se foram no presente que me foi dado.
Herança maldita, como malditos são esses versos.
Cada linha escrita, um filete que se derrama.
Bancos lucram. Bancos de areia são criados.
São só falas, falências, falácias e falésias.
Nenhuma providência é deveras tomada.
Sequer a Divina.
Tomada?
Energia!!

(Poema que denúncia os abusos sofridos pelos rios, nordestinos em particular, que são explorados de forma irracional. O que é a sensatez frente ao interesse econômico?)

 
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Publicado por em 22 de março de 2012 em Licença Poética, Porta Retrato, Pseudo Cult