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Arquivo mensal: agosto 2012

O barco além do sol

Marcelo Bonfá - O Barco Além do Sol

Marcelo Bonfá – O Barco Além do Sol

Uma coisa leva a outra“. Essa frase é clássica, e sempre fez bastante sentido. Em 1996, chega ao fim a Legião Urbana. Acabou com a morte do Renato. E os outros músicos, o que fizeram? Bem, cada um seguiu um caminho solitário, ou solo. Dado produziu algumas trilhas sonoras e lançou seu primeiro álbum solo quase 10 anos depois do fim da Legião. Mas esse outro sujeito, o Marcelo Bonfá, esse lançou seu primeiro álbum solo em 2000. Um barco além do sol (2000) é um álbum que tem, em sua leveza, uma grande carga poética e que o imputa peso. Sim, dá para perceber um “quê” de Legião no álbum, mas que importa? É um belíssimo trabalho.

Mas ó, dessa vez, ao invés de deixar as minhas impressões pessoais sobre o álbum, vou deixar que o próprio Bonfá discorra sobre este barco!

“Como pude me surpreender ao perguntar pro meu filho Tiago, como ele achava que o disco deveria se chamar? Foi como se ele já estivesse aguardando aquele momento. Fez um pequeno suspense e respondeu: “O barco além do Sol”. Foi perfeito. Como eu poderia ter esquecido as nossas caminhadas pelo jardim, pensando numa frase para uma letra nova?! Como eu poderia ter esquecido seu interesse em assistir as gravações jurando ficar quietinho!? O fato é que ele conseguiu traduzir em palavras toda a magia que havia naquelas dez faixas. Um nome mágico, como foi também todo o processo de feitura deste CD. Deixe que o barco me leve…”

“As canções

As células destas canções nasceram por volta de 1996 e se desenvolveram ainda na mesma plataforma até 1997. Nesta fase eu selecionava dentre as minhas idéias, aquelas músicas que apresentavam uma estrutura mais “pop/rock”. Eu caminhava nessa direção até que, em determinado momento, foram as canções que passaram a me mostrar o caminho a seguir. A cada instante deste processo me perguntava o que era exatamente que eu estava fazendo e, a cada minuto, me vinham uma resposta diferente. Algumas respostas estavam no trabalho em si, outras vinham em forma de mágica sincronia. No final de 1997, eu já tinha selecionado doze músicas e, assim, no silêncio das madrugadas, as melodias foram surgindo, uma a uma. Num dialeto estranho, uma mistura de inglês com bonfês. Terminei este ano pensando em sair à procura das “pessoas certas” para “traduzir” aquelas “letras”, já que para mim, elas estavam tentando dizer alguma coisa. E realmente diziam, como o tempo veio provar. Enfim, chegara a hora de dizê-las com palavras. Decidi que deveria seguir em frente “com o coração” e “olhar de vez em quando” para trás. E quando eu parava, a única coisa que vinha à mente era que havia alguém lá fora que esperava pelo menos sinceridade de mim. Quanto a escrever as letras, até então uma área onde eu não tinha muita experiência, achei melhor ir pra onde “as canções estavam me levando”. O fato de eu estar trabalhando em áreas inteiramente novas para mim e, ao mesmo tempo, ter confiança suficiente para tocar as coisas da minha maneira, ajudaram a me focar em um objetivo. As canções. Um parceiro para escrever as letras O Gian chegou a tocar baixo numa das fases do Legião, em apresentações ao vivo, mas viemos a nos tornar realmente amigos só agora. Já no primeiro contato mostrei uma música para ele na qual eu tinha uma boa idéia do que queria falar. Ele levou a fita com a música e quando me retornou, já no dia seguinte com uma letra, foi que eu percebi que tinha encontrado alguém que poderia me ajudar a escrever aquilo que eu estava sentindo. Da mesma maneira cheguei até a Fernandinha e ao Fausto. Apesar da grande expectativa dentro de mim, eu havia aprendido que deveria ficar mais receptivo.”

“Interpretar as minhas próprias palavras

Não foi nem um pouco fácil esta minha nova jornada – aulas de canto, noites em claro escrevendo – mas nem por isso, menos fascinante as coisas com que tive que lidar e aprender ao longo deste trabalho. Oficialmente eu e Carlos Trilha começamos a produção em fevereiro de 1999, assim que o meu home studio ficou pronto. Juntando-se a nós, no meio do caminho, Gian Fabra que gravou os baixos e Fred Nascimento que gravou os violões e as guitarras, finalizando em grande estilo com Gerge Marino, da Sterling Sound (NY) em Dezembro de 1999. Isso tudo só para dizer que este disco não poderia ter sido feito de forma diferente. e que fiquei 100% satisfeito com o resultado que obtive neste trabalho. E por ele ter marcado uma nova e maravilhosa fase da minha vida. Por fim, queria que “O barco além do Sol” me levasse assim, de encontro às pessoas.”

Fonte: O barco além do sol de Marcelo Bonfá – Novidades (Notícia) http://whiplash.net/materias/news_982/006263-legiaourbana.html#ixzz24o6TK6bf

Pois então, baixa e escuta este álbum. São apenas quarenta e sete minutinhos de bom som e bastante prazeroso. Recomendo ouvir da primeira à última faixa!

Até breve, pessoas!!

 

Link para Marcelo Bonfá: http://www.mediafire.com/?x8fc7zqifm4cg8v

 
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Publicado por em 28 de agosto de 2012 em Musicalizando

 

Antes de ti, depois de ti…

Nos relacionamentos, existem perguntas que devem ser evitadas, não pergunte, não responda. Enrole, seja franco, mas não caia na “tentação” de contar (ou de querer saber). É fria! Não responda!

Certa vez, um amigo meio “conservador”, queria saber que atitude tomar depois que ele ficou sabendo que a atual namorada já havia dormido com 7 garotos (oito com ele).
– Pra que porra ela te contou isso?!
– Eu que perguntei!
– Pra que porra você perguntou isso?!?!

Ele veio dizendo que achou que aguentaria, que hoje em dia isso é normal, mas que o que o incomodou mesmo foi que com alguns destes, ela foi pra cama no dia que conheceu. Que ele passou a ver uma certa promiscuidade nela que não via antes.

Quantos antes de mim?

Mas pra mim, “Quantos antes de mim?” é uma pergunta que só deve ser feita se você estiver preparado pro pior. Pense nas piores coisas, se for tranquilo, pode perguntar. Mas eu sou do time que acha que é melhor não arriscar. Sempre existe um ponto em que você pode se surpreender.

Não é colocar uma pedra no passado. O mínimo de conhecimento sobre seu parceiro é necessário. Mas isso você pode saber até pela criação, pelas amizades, mas de preferência, se entrar no assunto dos relacionamentos passados, só o básico como “Quanto tempo durou?”, “Já casou?”, “Tem filhos?” rsrs.

Ele mesmo dizia que achava que homens e mulheres deveriam ter os mesmos direitos, mas ela não pôde ter seus momentos de desejo (não importa quantos momentos)? Vontade de transar no primeiro encontro? Ele nunca teve estes momentos?

O que ele deveria considerar é que tudo o que ela passou a tornou a pessoa que é hoje. Como disse Jorge Vercillo:
“Não se prenda
A sentimentos antigos
Tudo que se foi vivido
Me preparou pra você
Não se ofenda
Com meus amores de antes
Todos tornaram-se ponte
Pra que eu chegasse a você”
Então, creio que não precisa saber como foi, se o resultado te agrada, fica com ele e pronto. Com seus congressos com mais bandas que palestrantes, com suas baladas, suas farras, bebedeiras, relacionamentos longos e tudo mais que ela viveu.
A sinceridade dela é prova de confiança e merece seu apoio.
Mas eu prefiro não saber. 😉

 
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Publicado por em 27 de agosto de 2012 em Guerra dos Sexos

 

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Diferença

Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores; (SALMO 1:1)

Sendo Jesus o Verbo. Então Jesus é a bíblia em pessoa. Lendo esse versículo dos Salmos pergunto: Em qual lugar Jesus raramente andou? Quais a pessoas que Jesus repudiava e exortava duramente?

"Amo o vosso Cristo, mas odeio o vosso cristianismo". (Ghandi)

“Amo o vosso Cristo, mas odeio o vosso cristianismo”. (Ghandi)

A diferença da maioria dos evangélicos para o Jesus do evangelho é que muitos crentes tentam impor aos outros e Jesus vivia de modo que os outros não resistiam à sua graça.

O pior erro de um ateu e de um cristão é tentar impor ao outro sua crença ou falta dela. Por isso o respeito à liberdade do outro começa quando se aprende a respeitar sua própria liberdade de não dar satisfação a ninguém de suas ideologias.

 
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Publicado por em 23 de agosto de 2012 em Falando Sério, Mundo cão, Pior é na Guerra

 

Legionário!

Dado Villa-Lobos - Jardim de Cactus (2005)

Dado Villa-Lobos – Jardim de Cactus (2005)

Há alguns anos atrás, mais precisamente em 2005, soube de um lançamento, um “ao vivo MTV”, de um cara que já havia admirado com seu trabalho solo como produtor. Dado Villa-Lobos acabara de lançar o álbum ao vivo Jardim de Cactus (2005). Não é nenhum segredo que desde guri aprendi a curtir a Legião Urbana. Após o fim da banda e do Renato, fui caçando material solo do Dado, do Bonfá e do Renato Rocha. Deste último, a única coisa que soube foi de uma reportagem, evidenciando-o num estado de abandono, morador de rua. Bonfá, bem, ainda farei um post com seu trabalho que, pessoalmente, gosto muito também. Enfim, não lembro se em 2001 ou 2002, tive contato com a parceria Cassia Eller/Dado Villa-Lobos com a música Dentro de Ti, da trilha sonora do filme nacional Bufo & Spallanzani (2001). Vim a descobrir que, em 2001, este filme foi premiado no Festival de Cinema Brasileiro em Miami na categoria de melhor música (entre outras), e para a minha surpresa, toda a trilha foi composta por Dado. Dentro de Ti não saía da minha playlist, e quando soube deste álbum ao vivo de Dado, obviamente fiquei na expectativa da música compor o setlist. Bem, não fez parte, o que não diminui a beleza do álbum. Em 2011, pude assistir ao show aqui em Salvador, no Groove Bar, e apesar do pequeno espaço para um show como esse, foi bom pra K7!

O álbum conta com várias participações pra lá de especiais! São elas: Herbert Vianna, Bi Ribeiro, João Barone (Paralamas do Sucesso) e Dinho Ouro-Preto, em Conexão Amazônica, sendo que Dinho Ouro-Preto ainda participa de Guns of Brixton (cover do The Clash), o sumido Fausto Fawcett, em Faveloura & Lov, Toni Platão (ex-vocalista do Hojerizah), em Como te Gusta?, Paula Toller (vocalista do Kid Abelha), Humberto Effe (vocalista da Picassos Falsos) e Thalma de Freitas, em Laufunk.

Agora olha só: No ano seguinte (2006) foi lançado o álbum versão estúdio! E outras participações especiais fizeram também parte das gravações, tal como Chico Buarque, em Natureza! Legal né? Vou deixar este também, para ser apreciado da forma que tiver que ser.

Outros que participaram dessa gravação foram: Amanda Telles, em Luz e Mistério, Cecília Spyer, em Quase Nada, Jayme Villa-Lobos, em Tristesse.

Agora, só como curiosidade, este álbum de estúdio foi gravado entre Março de 2000 a Julho de 2004, no Estúdio RockIt!

Enfim, fica aqui a #recomendação da semana, o Jardim de Cactus, belo trabalho do Dado.
…e até breve, pessoal!

Link para Jardim de Cactus (ao vivo): http://www.mediafire.com/?wi68b3l49zlu69s
Link para Jardim de Cactus (estúdio): http://www.mediafire.com/?seo0c5wf2n63a50

 
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Publicado por em 20 de agosto de 2012 em Musicalizando

 

Preparando o salto

Siba surgiu (pra mim) com o Mestre Ambrósio. Uma das pioneiras no “movimento” manguebeat. E já gostei de cara. Eu tinha só 11 anos e já
gostava daquela música de velho, mesmo sendo tão nova e moderna.
Mestre Ambrósio lançou outros discos muito bons.

Depois Siba, já estabelecido em São Paulo, resolveu voltar. Foi pra zona da mata, bebeu da fonte e gostou tanto que levou a fonte com ele. Fundou a Fuloresta do Samba, com músicos da região. Ele virou um verdadeiro “cantadô”.
Deu pra ver que o sangue que corre nas veias de Siba é de caldo de cana, ele tem pés peregrinos, coisa de quem roda as estradas de chão.

Sua cabeça é povoada por cordas de violas, metais, zabumbas, pandeiros, e de lanças dos caboclos da zona da mata.
Como ele mesmo diz, influências confusas e embaralhadas de vários repentistas, além de Jimmy Hendrix, Ivanildo Vila Nova, Manoel Chudu, Jimmy Page, Zé Galdino, Thelonious Monk…

siba rabeca avante fuloresta

Agora ele fez um disco verdadeiramente solo.
Não há nada mais louco (e corajoso) do que um artista que fazia um som interessante e era bem sucedido, dizer adeus a tudo (ou quase).
Claro que isto lhe garantiu um resultado novo e desafiador. Talvez tenha perdido uns fãs por isso, ganho tantos outros.

Nas letras, o regionalismo natural, canoas furadas, cirandas à beira mar, carnaval de olinda, etc.
As canções possuem um tom confessional e parecem contar a história de uma caminhada de descoberta do homem e do poeta, que amadurece após naufragar com sua canoa furada nos balés da tormenta. Talvez eu tenha tentado economizar com o psicólogo.
Mas isto é um (ainda que imenso) pano de fundo.
Ora “Avante!”/Preparando o salto, ora melancólico, como na penúltima faixa “Qasida”, é um disco pra sentir, mergulhar no pensamento, se drogar de poesia.

Na sonoridade, este “punk rock baque solto” que me fez virar mais fã ainda.
Siba percorre um universo de guitarras leves, tuba, teclado e bateria. Tudo bem mesclado, parece tudo acústico, parece espantoso. Foi realmente corajoso, honesto, musical e poeticamente.

Produzido por Fernando Catatau, um gênio com jeito de matuto que lidera a ótima Cidadão Instigado e deixou sua marca bem forte, o disco é talvez a melhor pedida de 2012, uma obra para integrar o futuro e o presente da nossa cultura nordestina.
Olhando o passado, reinventando o presente.

Não tem mais aquela “orquestra” da Fuloresta. Não fez falta porque o trabalho é outro. É outro artista. Inquieto, talvez com “medo” de ser rotulado. Ele acabou estabelecendo uma leveza satisfatória e envolvente.
“Cantadô, poeta, guitarrêro”

“Modernizar o passado
É uma evolução musical.”
Chico Science

 
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Publicado por em 20 de agosto de 2012 em Musicalizando, Porta Retrato

 

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Da terra do Coxa!

Lemoskine - Toda a casa crua (2012)

Lemoskine – Toda a casa crua (2012)

Não faz muito tempo, fiz um review sobre um álbum que me fez passar horas, dias, apreciando vezes e mais vezes. Foi o Canções de Apartamento, de Cícero. De fato, é muito bom quando nos afeiçoamos a um álbum em particular, e não cansamos de ouvir as mesmas músicas, por vezes. Por sorte, isso aconteceu novamente nesta última semana. Descobri um “lançamento 2012” que veio para disputar lugar com o álbum de Cícero: Toda a casa crua (2012), da curitibana Lemoskine.

Pois, Lemoskine vem de: Moleskine (o caderno / agenda) + Lemos (sobrenome do vocalista Rodrigo (Lemos, claro…)). Assim como o Canções de Apartamento, desde a primeira audição, meus ouvidos já se acostumaram e se sentiram bem à vontade com a sonoridade indie-pop-alternativa que fica impregnada por todo o álbum. Bem, tive a clara impressão de que se trata de um álbum essencialmente triste, pra baixo mesmo. Mas calma! Não estou tentando convencer que, aquele que o escutar, vai sentir uma necessidade contundente e implacável de cortar os pulsos, ou pular do __º andar, ou qualquer forma de suicídio. Não. Digo existir nele algum tipo de mágoa amorosa que não foi curada. Mas é uma impressão minha. Só o Rodrigo Lemos para decifrar com exatidão o seu trabalho. Acaso você tenha sentido a impressão de já ter ouvido falar nesse cara, ele é integrante de duas outras bandas: A banda mais bonita da cidade e a Naked girls and aeroplanes, e já foi integrante das Sabonetes, Mordida e Poléxia. Ou seja, Paraná na veia! Curitiba e Coritiba pra todos os lados! E com louvores de bom som, sim! Mas enfim, façamos diferente dessa vez? Olha o link do Soundcloud aí abaixo! Vai clicando, vai ouvindo e vai lendo, se preferir!

O álbum abre com Nessa mulher, uma mistura de sambinha-indie-electro-pop-moderno à la Mombojó, e que paira nos ouvidos com a delicadeza sombria do próprio conjunto da obra. Duvida? Olha só: “Eu quero morar nessa mulher, pra ela sim quero me dar, com ela sim faço questão, por ela grito à multidão! Eu não tenho tempo a perder, alguém me revele a ela já que o nome de artista eu sei de cor, mas sem o apelido cai melhor“. Mas é só um início calmo e sensível ao que há de vir pela frente.

Pronto. Receba a bomba! A segunda faixa, a que dá nome ao álbum, Toda a casa crua, dá mais sentido à alma do álbum. É mágoa, é um sofrimento, bem característico dos poetas românticos de séculos atrás. Mas está aqui e agora. “Tua cara de ternura sem maldade, toda a cumplicidade… Mentira… A coisa imaculada e intocada, nunca antes explorada… Mentira… O choro derramado na cidade, eu jurava ser verdade… Mentira…“. A música em sí, quanto à harmonia, tem um peso próprio, que auxilia o entendimento do que é cantado. Ou seja, muito bem equilibrado.

Em seguida, temos a melancólica Os outros. Bem folk, lembrando algo de Bob Dylan, de Zé Ramalho ou Zeca Baleiro, climão lual. Mas com grande mágoa envolvida em sua letra. “Ele é poeta, mãe… Elas parecem gostar. Eu acho que já era.. Poesia é velha, como um furo na orelha. Do outro lado, ela, a jovem comissária, dieta de astronauta, sente a minha falta se eu sinto a falta dela… Eles se completam, arrancam nossa calma… Eu quis a sua volta, mas não soube ajudar…“. Então perdeu, playboy…

A quarta faixa, a Música de novela, tem todo o clima de folk americano, quase western, um pouco mais tranquila, sem tanto choro nem vela. “To esperando você chegar, depois do trabalho e do bar, pra me explicar o que aconteceu com a gente, você e eu… Tirar a gravata e me abraçar, pedir desculpas no jantar, fingindo que eu já perdoei até o que eu não sei… Desde quando minha presença já não faz diferença? Onde foi que eu me tornei alguma coisa entre o sexo e distração?” Bem, sem tanto choro nem vela, né…

A quinta faixa, Estilingue, é bonitinha e tal, mas prefiro comentar logo a faixa seguinte a ela, Toda bonita. Sim, ela é bem peculiar, meio electro-pop, meio house, meio mpb. Que mistura né? Mas é bem agradável, gostei muito. Mais magoazinha no álbum….”Ela vem de longe, de qualquer sul, toda bonita, em seus novos sapatos, tão sensacionais, esquece a finesse… E de par-em-par, aumenta a coleção, um tanto esquisita. Oh sweet Caroline, embarga o coração e leva a culpa no fim… Ela pode ter tudo em cima, mas não tem ninguém! Ela pode ser Curitiba e não ser ninguém…“. É, ele não aliviou novamente né…

A sétima faixa, Maria Lúcia estava em chamas, tem uma pegada meio inverno da vida, embora Maria acabasse ardendo em chamas… “Foi numa dessas festas com DJ de Israel que encontrei Maria Lúcia, caída no chão, de pernas pro ar… Pensei comigo: ‘Aqui mora uma contradição: Era Maria quem dizia sempre estar alta demais domingo de manhã’. Ela não vai mais acordar em casa. (…) A luz em Maria, sangrava e ardia, seu nome perdia toda lucidez, sorriu pra família, e o rosto do dia foi dando lugar a Maria da vez…“. É… Maria ardeu em chamas… A historinha não acabou bem pra Maria…

Cabeça de disco, a oitava faixa, também é bem legal, mas prefiro a seguinte: Computadores românticos. Algo meio dub-electro-pop-reggae, que induz um clima meio místico e misterioso, enquanto a dona estava respirando por computadores românticos e o playboy perdendo. Mas é assim mesmo… Depois passa… E ele diz: “Toda dor eu sei que já vai passar…“. A linguagem crítica cai como uma luva: “É bom usar seu guarda-chuva, pára-raio ou cama elástica / Com tanta gente a cair do céu / Qualquer dia pode ser em cima de você / Preste atenção: Televisão, musculação, mas poesia não! / Poesia já era, e o que mais você pode se arrepender? Respirando por computadores românticos / Essa luz eu sei que tá querendo entrar / Respirando por computadores românticos / Toda dor eu sei que já vai passar…“.

A décima faixa, Madame, também é bem regada a alguma mágoa. Rs. Em sua forma harmônica, ela me fez lembrar bastante algumas coisas do Parafusa, que gosto demais. “Madame tá com riso frouxo e já não lembra mais porquê / Foi se entregar a quem não dá a mínima pro Rolex / Madame quer vida ligeira, quer ter 18 outra vez / Pra bagunçar a vida de alguém“. Tão madame que vai lá pelas bandas de Jardins, Sampa, desfilar na Oscar Freire, concorrendo com outras madames… Poderosa ela…

Ok. Sem pestanejar, acaso o ano acabasse hoje, eu teria este como o grande lançamento nacional de 2012. Mas como ainda faltam alguns meses e muita música para ser escutada, vou guardar e reservar o troféu, devidamente. Mas ouça, baixe se preferir, e escuta este bom som vindo de Curitiba. Recomendo muitíssimo a quem ainda não conhece esse trabalho!

Até breve, rapeizi!

Link para baixar Lemoskinehttps://www.facebook.com/CurtaLemoskine (curta a página e baixe o álbum)

 
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Publicado por em 14 de agosto de 2012 em Musicalizando

 

O sabor do beijo (Vinte e Poucos Anos)

vinte e poucos anos

(Ela)
Eu não sei te beijar.
Não, não saberia como, nem quando…
Agora? Já?!
Mas você quis
E disse que não queria,
Que ia me esquecer depois
E eu te fiz prometer:
Não vá se apaixonar

(Ele)
Faz o mesmo, vai…
Não liga, faz de novo, mas faz…
Mas antes me beija,
Me imita, me segue até aqui
Venha a mim, aos meus pés agora
Faz o mesmo, faz de novo
Faz igual, não vale olhar.
E vê se aprende
Que é pra não esquecer
Mas depois esquece
Vai embora, vai…

(Ela)
Beije várias garotas
Muitas vezes,
Várias vezes ao mesmo tempo
Enfim, seja feliz sem mim
Mas não me esquece…
Me promete, mas faz.
Promete de novo
Não vale olhar assim…
Nós somos amigos

(Ele)
O vínculo que vai nos unir
O mais longe possivel
E que qualquer viagem maluca
Não há de apagar
O gosto do beijo
Que tinha o gosto bom
O gosto de nossos labios vermelhos
Que bom que somos amigos
Proponho estragar nossa amizade
Não, não olha pra baixo

(Ela)
Tá bom
Então fecha os olhos
Tá bom, te deixo olhar
Mas agora deixa o resto comigo
Olha, eu vou te beijar
E não vamos estragar nada
Só não abre os olhos

 
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Publicado por em 13 de agosto de 2012 em Licença Poética, Pseudo Cult