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Arquivo mensal: novembro 2012

Mais do norte!

Phill Veras - Valsa e vapor (2012)

Phill Veras – Valsa e vapor (2012)

Dessa vez, de São Luiz do Maranhão! Ê meu Brasil cheio de boas surpresas por todas as partes! Feliz sou eu por ter encontrado, neste ano de 2012, tanto bom material para escutar por diversas vezes, e em momentos bem singulares, como aconteceu com Cícero, com Lemoskine, com Selvagens à Procura de Lei, com Poléxia… E agora, esse garoto maranhense Phill Veras. O garoto tirou a sorte grande! Assim como ele, eu aprendi a tocar violão quando garoto. Assim como ele, compus muitas músicas. Assim como ele, sonhei com que ouvissem minha música, curtissem meu trabalho e apostassem em mim. Diferente dele, meu sonho ficou apenas como sonho. No caso de Phill Veras, seu amigo Arthur Costa indicou seu trabalho à musicoteca, e eles reconheceram seu trabalho e decidiram, então, apostar no garoto. Surge assim seu primeiro trabalho autoral, Valsa e Vapor (2012). Bacana quando esse tipo de coisa acontece, heim?

Pois bem, a musicoteca, tal como outras fontes musicais de pesquisa pessoal por material novo, me apresenta uma bela variedade de trabalhos de diversas espécies, e curioso por conhecer esse trabalho, resolvi experimentar há uma semana. Sim, como humano normalíssimo, acabei buscando uma semelhança noutras fontes, e me vi sonoramente arrebatado por uma mistura de Los Hermanos com Cícero, e que boa referências, não é? Ao indicar à minha amiga Gabriela, de cara ela responde: “Lembra Los Hermanos!“. Bem, eu não estava errado em minha percepção. Assim como aconteceu com outros álbuns, de artistas e bandas citados anteriormente no post (e em posts passados), ouvi uma, duas, três, dezenas de vezes seguidas o curto álbum Valsa e vapor (2012). Curto, mas intenso. São apenas vinte e dois minutinhos todo o álbum, em cinco faixas, que me deixaram com aquele desejo de mais faixas, mais do trabalho do Phill. Ouça a canção que dá nome ao álbum, a Valsa e vapor!

Portanto, aproveita um tempinho livre e escuta o álbum inteirinho, do comecinho ao fim, que vale muito a pena conhecer (e eu recomendo!). Eis então a minha indicação da semana, para a semana!

Até breve, rapeizi!

Link para Phill Veras: http://www.amusicoteca.com.br/?file_id=1329

Ps: Acaso apareça uma notificação googleátrica, indicando a presença de vírus no site da musicoteca, é pura balela. O site é todo limpinho, limpinho… Pode continuar a navegação, conhecer o site quem quiser, mas principalmente baixar este álbum.

 
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Publicado por em 26 de novembro de 2012 em Musicalizando

 

A lenda do taxista

Ele não era um taxista qualquer. Ele se formou em direito, falava inglês fluentemente, foi concursado e trabalhou por muitos anos em um grande banco, onde exercia cargo de alto escalão. Era um homem de gabarito, como se diz.

Mesmo depois de deixar o banco, que foi privatizado, e assumir o volante do táxi, ele manteve a postura de executivo. Tanto a aparência quanto a visão empreendedora. Assim, resolveu “agregar valor” ao seu trabalho.

No começo, a coisa aconteceu meio por acaso. Um taxista perfumado, bem vestido, de gestos refinados e bom vocabulário agradou em cheio os passageiros. Na verdade, ‘as passageiras’. Elas faziam questão de viajar em seu táxi, esperavam a próxima corrida de bom grado. Seus cartões eram distribuídos em pouco tempo e ele sempre tinha que mandar fazer mais.

o homem sem rosto

As clientes puxavam assunto, pediam dicas de investimentos. As mais saidinhas sentavam no banco da frente, ao lado do taxista, elogiavam seu perfume, insinuavam-se. Com isso, os primeiros encontros extra profissionais começaram a surgir. Com os primeiros encontros, a fama começou a se espalhar.

Os primeiros encontros foram mais românticos. Ou pelo menos encarados de forma romântica. Mas a visão do homem de negócios falou mais alto.
Ele viu que tinha um amplo mercado a ser explorado. Uma fatia de mulheres que precisavam de atenção, principalmente as casadas.

Logo ele tinha uma “carteira de clientes” que o procuravam. Mais em busca de companhia do que de corrida. Começou assim a história do Taxista Sem Face. Saiu até em rádio. Aqueles programas noturnos com musiquinhas traduzidas, cartas de amor e tudo mais.
Sempre havia uma carta de mulher apaixonada pelo tal taxista, até que o pessoal da rádio começou a achar que ele realmente realmente existia.

O programa de rádio, de grande audiência feminina, revelou a existência deste taxista, que teria se especializado em dar assistência sentimental a mulheres carentes. Isso acabou despertando a curiosidade de muita gente (incluindo dos maridos desatenciosos, que ficaram bastante preocupados e ligados nas saídas das mulheres). Todo mundo queria saber quem era o tal Taxista Sem Face. Mesmo entre os taxistas, a especulação é grande. Virou assunto nos pontos, muitos desdenhando, outros dizendo que o conhecem, outros dizendo que era o próprio…

Como tenho amigos taxistas, já pedi pra me contarem logo que descobrirem.
O homem, propriamente dito, não achei. Não posso dizer que ele existe de fato, nem que não.
Mas, com ou sem o Taxista Sem Face, fica um conselho aos homens: amem suas mulheres.

 
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Publicado por em 26 de novembro de 2012 em Mundo cão

 

Em defesa da raça ruim

O comentário foi ficando tão grande que não cabia mais e teve que virar um post.

Em resposta ao texto “Cafa!“, lá vai.
Wlad, este cara que vc descreveu é o canalha.

Elas podem adorar o “cafa”, continuarão adorando, pq sabem em que estão se metendo, não irão sofrer por mentiras nem serão enganadas.
O canalha é o cara que se ama. E só. Ele malha pra ficar bonito e não saudável (como muita mulher por aí).
O canalha se veste com uma regata P pra desenhar todos os músculos que ele fez crescer em decréscimo do cérebro, que talvez nem tenha diminuído, talvez ele sempre tenha sido pequeno mesmo.

O cafa pode não querer namorar, mas ele consegue. Ele acha legal passar toda a noite com a mesma menina que ele conheceu e ficou durante algum show.
Já o canalha quer todas, fará o possível pra bater um recorde atrás do outro. Ele tem uma lista de e-mails femininos (ou telefones) em que envia a mesma mensagem para todas. E algumas “patas” caem nesta “armadilha” ridícula.

cafajeste e canalha

Talvez algum cafa tenha sido canalha por alguma vez, mas nenhum canalha consegue ser cafa. Para o cafa, o que vale é a conquista, pode ser apenas pra massagear seu ego, mas ele não causará nenhum estrago em corações que passem por suas mãos. Ele não promete amor, relacionamento nem nada disso, mas nem por isso trata mal.

O canalha é um cara que vive em micaretas, baladinhas sertanejas, baile funk, etc., tá pouco se lixando pras meninas que ficou, nunca terá nenhuma lembrança de nenhum momento legal que viveu. Sua memória se resume a putaria, putaria, putaria…

Um cara que não sabe o nome de ninguém, chama de “gata” já no primeiro minuto da conversa, chama de “gostosa” já no segundo minuto. Isso se alguma menina aceitar a abordagem, pois ele já chega “chegando”. Ele quer tudo pra agora, se seu ataque não deu certo no primeiro alvo, ele não “trabalha” a cliente a fim de conhecer seus valores, suas vontades, entre outras coisas. Ele simplesmente parte para a próxima, esperando que ela “se abra” mais facilmente.

Um cara em que suas bandas favoritas são renovadas a cada verão e que sua playlist se resuma a sertanejo, arrocha, funk.. de preferência se houver algum destes estilos universitários (pra um momento mais “romântico”).

O canalha não cuida de nenhuma mulher, até porque ele não sabe. Troca os nomes e não dá o mínimo de atenção. Não sabe elogiar. Suas conversas se baseiam em: “uau, que gata!”, “que delicia”, “ô la em casa”. Tem também os: “cê viu quanta mulé gostosa no Big Brother?”, “cê viu aquele carrão? rebaixado, aro 20′ “.
Eles não prestam atenção na roupa da mulher e sim no desenho que a roupa faz no corpo. Não dá a mínima pra um penteado ou um corte de cabelo. Não dá a mínima para um sorriso.

o canalha

Ele adora aparecer. Ele só viu as peças da moda, os shows da moda, os filmes da moda. Não aguenta ver uma mulher e: “peito pra fora, barriga pra dentro”. É o cara com todos os amigos, é o cara que, aparentemente, só tem vantagens. Um carrão, ar de superior, roupas de marca, entradas VIP para as boates caras. O canalha é um pavão.

Você pode dizer que canalha é substantivo e cafajeste é adjetivo.
Você pode dizer que canalha é um idiota exibido e cafajeste é um idiota manipulador
Mas sempre tenha certeza que canalha é uma coisa e cafajeste é outra.
Mas ambos são dois trastes!

 
 

Parental advisory : (+18)

Velhas Virgens - Vocês não sabem como é bom aqui dentro! (1997)

Velhas Virgens – Vocês não sabem como é bom aqui dentro! (1997)

Sim, deixa pedir licença antes de mais nada… Vou estar largando um post de se elevar o riso. Há quem feche a cara para bandas como essa. Bom-gosto, mal-gosto, deixo o juízo de valor para quem quiser discutir, mas hoje (no Varrendo a sala) é dia das Velhas Virgens! Quem nunca ouviu falar da banda, já estranha o nome, vê a capa do álbum e já sente a “pressão”, percebe as letras… Pronto! Banda machista! Machismo! E a visão já é maculada! E é bem por aí mesmo, não tem jeito. Mas é garantida a diversão, o riso, pelo machismo, pelo absurdo, pelo que você quiser pensar! Mas é uma antiga banda de rock’n’roll, blues-rock, que nasceu em Sampa e já tem vinte e seis aninhos de vida nacional, e que mesmo sem ter suas músicas tocadas em rádios ou na tv, é sucesso de norte a sul do país!

Sim, é palavrão do começo ao fim, cafajestagens, sacanagens, malandragens, cerveja, sexo e rock’n’roll. À primeira vista – ou escutada – é bem fácil pensar: “num show deles não deve dar uma única mulher”. Errado! Pô, vamos abandonar essa idéia de que em show de rock’n’roll não aparecem mulheres! E ainda mais num show como esse! Ok, a banda conta também com a participação da dançarina/vocalista Cláudia Lino, assim como Juliana “Juju” Kosso, Roberta “Guti” Schwantes, até Rita Lee emprestou sua voz para a música Beijos de corpo, deste álbum do post! E você ouvirá Rita cantando: “Nós tamos indo pra zona, nós tamos no maior porre! Antes do dia clarear, essa cidade vai pegar fogo!“. Mas isso é o mínimo!

Neste álbum de 97, o segundo da banda, algumas músicas se tornaram clássicas, como a que da nome ao disco, Vocês não sabem como é bom aqui dentro!, onde é pregado: “Eu passei o dia todo amassado, enforcado, refém da cueca / Torto e sufocado, esperando por esse momento lindo / Eu sei que errei e fiquei duro antes da hora / É que eu tava ali preso e só queria fugir / Mas agora que eu tô aqui não quero parar / Molhado e quentinho, depois dos beijinhos, eu quero entrar em ação / Vocês não sabem como é bom aqui dentro / Este buraco é bom demais / Vocês não sabem como é bom aqui dentro / Eu amo este entra e sai“. A pegada é essa!

Outra faixa que se tornou clássica foi o rock’n’roll A mulher do diabo. Nela, (hoje) “Juju” Kosso divide o palco com o vocalista e cantando: “Eu só não sei até quando o diabo vai aguentar / Pobre diabo, ela te pôs na palma da mão / Essa mulher é demais / Satanás é o cão, é o cão, é o cão!“.

Mas é a terceira faixa que garante uma grande e clássica diversão! A faixa Abre essas pernas veio furiosa, um blues para grudar no pé do ouvido e quase seis minutos de diversão garantida! Ela já é introduzida (lá ele!) com uma vinhetinha rápida, tal qual uma música antiga tocada num gramofone: “A mulhere e as galinhas, são dois bichos interesseiros: As galinhas pelo milho, e a mulher pelo dinheiro”. E o blues é iniciado, à la Mississipi: “Abre essas pernas pra mim, baby, tô cansado de esperar / Você dá pra todo mundo, só pra mim não quer dar / Esse papo de pele e de química não tem nada a ver / Não é filme nem novela, é só sexo, eu e você / Já deixei você nua, em pêlo, e na hora você deu pra trás / Então abre essas pernas pra mim, baby, pra aprender como é que se faz!”. E a discussão começa, ele querendo comer, ela não querendo dar! E o refrão grudento: “Abre essas pernas! (Ela: Nãããããão!) Abre essas pernas! (Ela: Nãããããão!)“. Mas um final feliz é encontrado no final, como toda bela história de amor, né? rsrs. Confira aí, po!

Outra faixa que ficou bem marcada é a Madrugada e meia. Outro blues mississipiano, bem bacana mesmo. E a letra engraçadíssima! “Tô aqui lembrando e rindo, madrugada e meia de amor / Creme de leite, maionese, pastel de cabelo à vinagrete, caipirinha de suor / Você me deu um nó de perna, chupou debaixo do meu saco / Minhas costas, meu sovaco / me senti uma azeitona triturada na sua boca / E no final foi porra pra todo lado, urros e gritos desafinados / Mas que putaria baby, só que eu quero tudo outra vez“.

Siririca baby! Esta é a nona faixa do álbum e sempre está presente nos shows. E o público pede Siririca baby. “No quarto de motel a transa rolou bem / Você me dedicou uma bronha, eu embrulhei e mandei pra você uma siririca / Siririca baby! O que importa é gozar de qualquer jeito / Siririca, bronha, pinto, peito“… E o público canta “Siririca baby“… E o público canta “Eu toco bronha“… O público quer tomar mais uma cerveja, cantar putarias, dar risada e se divertir!

Ok, mais uma para dar fim por hoje. Outro grande sucesso é a penúltima faixa do disco, a Não vale nada. Talvez uma das mais comportadas de todo o álbum. Apesar da letra escrachada, nenhum palavrão, nenhuma putariazinha, mas um bom som sim!! E com direito à declamação de Versos Íntimos, de Augusto dos Anjos, logo no final. Nota aí!

Ufa! Enfim, fica aqui mais uma recomendação da banda que terei o prazer de curtir ao vivo daqui a 3 dias! Sim, diversão garantida, soa para mim como suficiente! Fica aqui a recomendação deste grande álbum de uma grande banda nacional!

Até breve, pessoal!

Link para as Velhas Virgens: http://www.mediafire.com/?5p33vn363r25843

 
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Publicado por em 20 de novembro de 2012 em Musicalizando

 

Cafa!

Para mim, muito simples: Cafajeste é a palavra bonitinha (e pseudo-moderna) que significa mau-caráter.

Mas… até que ponto?

Elas adoram (o cafa) à mesma medida que odeiam, querem (o cafa) à mesma medida que o repelem. Muito simples: Elas querem o lado bom do mal/mau. Parece estupidez, mas é assim mesmo. Afinal, elas querem ser felizes com o príncipe-encantado, ao mesmo tempo que riem da cara do príncipe-encantando quando vêem algum (“bomzinho não presta!”). Alto lá! Há muito tempo eu desisti de tentar entender “gente”, quanto mais (particularmente) as mulheres. Não, não quero nem tentar.

Mas em 2012 houve uma nova conquista: Percepção do mundo. Todas as definições de “homem não presta porque….” eu vi, com esses olhos que a terra há de comer, ouvi, com estes ouvidos impuros dos sons de porta-malas-de-carro-de-pagodeiro-aberto-na-Bahia, e o melhor: Entendi e absorvi a verdade/realidade. Só que ainda continua ruim a sensação de ser enquadrado no mesmo grupo dos mal-feitores. E continuo ouvindo (desde sempre): “você tem a mó cara de cafa!”. Ou seja (dois pontos, um em cima do outro): É FODA!

No fim das contas, este é só mais um “estou farto disso!” que não leva a nada, já que o outro lado – o do reclamado – é tão mais numeroso e desejoso da cafajestagem que o pensamento se dilui com o passar dos minutos. Pior fica quando se quer lidar com a honestidade e deixar a hipocrisia de lado, porque é fácil perceber diversos níveis de cafajestagem, desde detalhes inocentes (mas cafas) até alguns puramente maldosos. De uma olhadela numa tentativa disfarçada em olhar para chamativa bunda alheia, até a desculpa esfarrapada para ir ao encontro de uma-noite-e-nada-mais com a/uma outra, os homens já fizeram, fazem ou farão acontecer o seu momento cafa. Mas que pode ser passageiro. Pode ser, porque para uma maioria quase absoluta, parece ser impossível ter os olhos voltados para uma única mulher. O mais assustador é que longe dos olhos e ouvidos femininos existe um verdadeiro (e bem imperativo!) discurso em prol do direito de ser cafajeste, de práticas cafajestes… E é aí que eu tenho que baixar a crista, envergonhado de muitas críticas e defesas passadas que fiz, e tenho que concordar com elas: “Eles não prestam”. E sabe… Este é o pior dos pensamentos que poderia atingir uma mulher. Mas, alto lá! A faca tem dois gumes.

Independente da opção sexual, a bolinha azul da Via Láctea é povoada por estes homens E mulheres. Os homens são cafajestes, tendem a isso, mas e as mulheres? O medo maior nem é por querer descobrir que, assim como o homem, elas têm uma tendência à maldade em estado puro e em nivel advenced, e então nem um, nem outro, prestam (feitos um para o outro). Ou seja, chegamos a um estado de cumplicidade absurda, e se a tendência for uma batalha para descobrir quem vai acabar sendo o mais maldoso, então que em 21/12 tudo vá pro beleléu mesmo!

Tá achando que esse assunto é brincadeira? Já houve até pesquisas para decifrar o enigma do porquê d’elas serem tão atraídas pelos cafas! Sim, elas ficam SBT (do dicionário solaninhêz: “se bulindo toda”) na semana em que ovulam! Ou seja, é hormonal a questão, senhoras e senhores! Hahahahaha… Perfeito para um “acredite se quiser”.

Mas sabe, não consigo compactuar com essa idéia de “ser cafajeste é bom”, por mais que elas acabem desejando um, por mais que eles defendam o ideal, por mais que nossa cultura me mova a comportamentos cafa em um ou outro momento… Enquanto isso, meus amigos cafa estão namorando, noivos ou casados. Os que procuram se afastar desse ideal, vão acabando cada vez mais solitários. No fim das contas, todos acabamos encontrando alguma diversão para suprir uma carência natural de amor-próprio. Vai chorar é? Hahaha! Eu não.

 
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Publicado por em 20 de novembro de 2012 em Guerra dos Sexos, Mundo cão, Pior é na Guerra

 

Tempo, tempo, tempo…

Felicidade é acreditar na eternidade do que é efêmero. Como se fosse possível existir um beijo que dure pra sempre, um amor que não acabe.
Mas a vida não é perfeita nem é como o final das novelas.
A duração é maior e sempre existe a chance (e tempo de sobra) pra o que é bom chegar ao fim.
Sempre chega a hora de acordar, de dormir, de ir embora, o beijo de despedida, a subida no trem, no ônibus, o embarque no avião.

Campo de flores

Eu não deixo de acreditar na felicidade, mas não fico à sua espera, sigo em frente. Mesmo que outras utopias me esperem no futuro, outras mentiras, outras verdades… mais mentiras que verdade.
Porque, no meio de tantas contradições, as mentiras se proliferam.
É a data de nascimento na carteira de identidade cada vez mais distante, enquanto eu me sinto ainda um adolescente. É a pose de popstar com a alma de morador de rua. É o sorriso nas fotos, mesmo nos piores momentos. É a desistência de insistir no que não vale a pena, é voltar a insistir.

Então, que venha o futuro pra mostrar o que é que vale a pena.
Talvez seja monótono, sem aventuras nem riscos. Talvez nem seja nada, o que vai me poupar desgaste, cansaço e vida.
Poderei fazer uma aplicação no banco pra multiplicar a minha não-vida, a vida que estarei economizando.
E depois, quando eu for velho, vou me orgulhar do meu grande saldo de não-vida. Me orgulhar de não ter vivido pra poder ter o futuro que eu não vou aproveitar.

 
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Publicado por em 19 de novembro de 2012 em Pseudo Cult

 

Quando a gente abre a janela, o sertão bate à porta

Acabei de desligar o telefone. Do outro lado da linha estava minha avó – que eu chamo de mãe como, eu acho, toda avó deveria ser chamada – desliguei e pela cabeça me passaram lembranças que quase não as reconheço como minhas.
Lembrei-me de quando cheguei à cidade grande, das coisas que me chamaram a atenção e das tantas outras que me deixavam tenso. Achava estranho que toda a gente estivesse com pressa, mas andassem em separado, em direções diferentes – é que em minha terra só se tem um evento por vez e, quando há, com ou sem pressa, todo mundo vai junto pra o mesmo lugar; e como achava irritante dar um bom dia e não ouvir nada como resposta.
Aquilo me deixava contrariado!!! Hoje deixa um pouco menos… E percebo então que a boa educação – a boa mermo! – é aquela que consegue ignorar a falta que ela faz no outro.

Desliguei o telefone e fui desligado pra a janela dar uma conferida no céu. Céu escuro, nublado, pesado, denso… Tempo feio, pensei!
-Alô?! Mãe? Sô eu.
-E puracaso eu não sei?!
-Bença, mãe!
-Que Deus te abençoe, ilumine e lhe dê vergonha…
-Tá tudo bem, mãe? Como estão as coisas?
-Tá sim, meu fio. Tá chuveno! Céu bonito! Tempo fechado! A chuva
parece que vai dar uma estada mais demorada por aqui… E aí? Como tá
o tempo?
– Tá bonito, mãe. Acabei de perceber … Tá bonito!
(…)

céu cinzento

 
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Publicado por em 13 de novembro de 2012 em Falando Sério, Pior é na Guerra