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Arquivo mensal: agosto 2013

Som de Abril

Depois de muito remédio, consegui dormir. Agora, no dia seguinte, cá estou eu. Olhando pro teto, desnorteado.
Que dia será hoje?
Sempre pensei que fosse feliz com o meu modo de viver. Eu, uma tartaruga, levando minha casa nas costas. Aonde quer que eu estivesse, estava em casa.
Agora estava entre dois pólos. Ambos positivos. Por isso eram distantes, inconciliáveis. Mas eram positivos, lindos, desejáveis.

Minha casa era meu modo de viver. E eu sempre levava comigo. Como uma mochila, como um sorriso, como uma pedaço do meu corpo.
Era mais uma viagem. Não era pra ser a última. Precisava dos dois pólos para viver sem a minha casa. Eram meus apoios enquanto estivesse sem a minha casa. Que dia será hoje? Felizmente, era um sábado e eu podia acordar quando quisesse.

As fronteiras entre os dois pólos nunca estiveram abertas. Nenhum pedido, nenhuma lágrima, nenhum telefonema iria fazer as fronteiras se abrirem. Custei a acreditar que, talvez, não terei mais a minha casa.
A idéia de que eu não podia fazer absolutamente nada, me deixava atônito. Cá estou eu, desnorteado, olhando pro teto.

Mas a idéia que de talvez isso fosse absolutamente necessário me tranquilizava. Eu nunca tomei decisões. Ninguém nunca me fez tomar decisões.
Não precisava mais ter que ter todas as respostas. Eram tantos “sim ou não”.

* * *

Cá estou eu almoçando. Estou triste mas o desespero inicial sumiu. Não tenho mais forças pra isso, agora é só tristeza e melancolia, que vai sair de mim. Um dia.
Olhava o horizonte, a rua.
Depois de tanto tempo, não poderia ser de outra maneira.
Iniciou bem, terminou bem.
O amor é lindo mas doloroso. Muito lindo e muito doloroso. Agora eu sei que esses anos serão as lembranças mais lindas que eu vou ter.
Não vou precisar esconder nada, dissimular, fingir. É lindo. Só ficou a beleza.

“Não podia durar pra sempre. Não podia ser diferente. Não poderia ter sido melhor.”

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Publicado por em 19 de agosto de 2013 em Guerra dos Sexos

 

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