RSS

Arquivo do autor:Flávia Faria

Sobre Flávia Faria

Sério isso? Putz... odeio falar de mim mesma. Parece entrevista de emprego, em que você tem que citar suas qualidades e defeitos, falar dos seus planos pro futuro e fingir que não reparou na combinação bizarra que o indivíduo na sua frente escolheu pra vestir. Quem sabe com mais 6 meses de terapia eu volto aqui e resolvo essa questão, ok? ;)

Um último adeus

Na madrugada de primeiro de janeiro, vesti meu amuleto e pedi ao universo que me desse a chance de aprender a amar. Nesse mesmo dia, com o sol nascendo para nos desejar boa sorte, eu te beijei, você me convidou para dançar na beira do mar e cantou no meu ouvido. Eu soube, então, que seria sua.

Dois anos, oito meses e vinte e um dias depois, na madrugada do dia em que você me deu seu último adeus, meu amuleto se partiu ao meio. Sem muita explicação, simplesmente quebrou. Meu coração quase se foi junto. Mas, no fundo, sei que foi lindo e foi duro, e que tudo valeu a pena.

Sou uma pessoa melhor, mais madura e mais feliz por ter te conhecido. Obrigada por ter me ensinado a amar.

 

Da sua nada, sua quase-nada, sua mais-que-tudo.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 23 de setembro de 2013 em Licença Poética

 

Tantas mães – e poucos pais

Semana passada eu tive a experiência incrível de visitar a sede da Associação de Amigos do Autista, a AMA. Tava fazendo uma matéria sobre educação para crianças autistas (eu sei que todos vocês leram o A Tarde nessa segunda e já sabem disso) e fui conhecer o trabalho da instituição. É pena, mas boa parte das impressões e sensações do repórter raramente entram no jornal. Falta espaço, em vários os sentidos. Mas não é disso que eu quero falar.

Quero falar da situação que eu vi na AMA e que já havia observado quando visitei uma instituição para reabilitação de crianças com paralisia cerebral. É grande o número de mães que se dedicam, que assumem o tratamento e que enfrentam todos os dias as dores do preconceito alheio. Os pais a gente conta nos dedos.

Sabe, o autismo tem um grande problema. Apesar do diagnóstico precoce fazer toda a diferença na vida da criança, é grande o número de vezes em que ele vem tarde. São vários os fatores que levam a essa situação, desde a incapacidade dos pais em admitir que algo está errado à incapacidade dos médicos em identificar o transtorno.

Em todos os casos, as primeiras suspeitas vem com no mínimo um ano. A gente pode dizer, portanto que os pais tiveram um ano inteirinho para construir laços afetivos com aquela criança. Ouço dizer que a mãe já ama o bebê muito antes dele nascer, mas que, no caso dos pais, isso pode levar mais tempo. Um ano não é tempo suficiente?

Não vou dizer que é justificável, compreensível ou mesmo aceitável que um pai abandone um filho com Síndrome de Down, que é algo detectado logo quando a criança nasce ou mesmo durante a gravidez. Mas, de toda forma, é um pai que talvez ainda não ame seu filho.

O que eu quero dizer é que não entra na minha cabeça como um homem pode passar mais de um ano com uma criança e, quando vem o diagnóstico, simplesmente abandoná-la. Fingir que nunca existiu. Um erro de percurso a ser esquecido. Não há amor? Não há carinho, afeto, instinto de proteção? Nada daquilo que foi construído até então vale mais?

Alguém pode dizer que é próprio do ser humano não saber lidar com situações como essa. Não concordo. Se fosse assim, não veríamos a figura de tantas mães – e de alguns pais – que matam e morrem por seus filhos, tenham eles autismo ou qualquer outro transtorno que os faça diferentes.

O que quer que falte no ser humano, falta especialmente nos homens. É uma construção social? Um problema de gênero? Algum componente genético ou evolutivo estranho que se apresenta em maior número nos homens? Não sei. Sei é que cada vez menos eu os acho dignos de se dizerem civilizados.


PS: Para saber mais sobre o vídeo, clique aqui

 
Deixe um comentário

Publicado por em 3 de abril de 2013 em Guerra dos Sexos

 

20 anos e 20 discursos

– Você tá com uma carinha… Tá tudo bem?

– Tá sim.

– Não parece…

– Ah, sei lá… acordei assim.

– Mas você tá triste?

– Não. Só não estou feliz.

– O que você fez hoje?

– Comi uma barra inteira de chocolate e faltei meus compromissos.

– E aconteceu alguma coisa que causou isso?

-Não.

– E essa carinha é por quê?

– Por nada.

– Posso fazer alguma coisa para te deixar melhor?

– Me ame.

– Eu já te amo…

– Ame mais.

– Você tá estranha…

– Nasci assim, na verdade.

 

 

 
Deixe um comentário

Publicado por em 6 de março de 2013 em Pior é na Guerra

 

Mom, why is he on TV looking like THAT?

Tava lendo esse texto de Sandra Diaz, da Canadian Women’s Foundation, que traz mais uma reflexão sobre corpos e o que, afinal, estamos ensinando às nossas crianças. Um dos pontos mais interessantes, porém, é uma pergunta que ela faz e que eu sempre questionei: como se pode dizer que certas mulheres são poderosas se, para estar onde estão, elas têm que estar seminuas?

O caso que ela cita é o caso de Beyoncé, que é tida como “girl who runs the world”, superpoderosa, diva e etc., mas aparece nas fotos, videos e shows em roupas minúsculas e sempre fazendo coreografias um tanto o quanto.. er… sexuais demais, talvez.

 Me lembrei da nova vocalista do Babado Novo, que eu entrevistei há pouco tempo sobre a estréia dela no Carnaval. Ela é uma fofa, linda, tem um corpaço e me parece ser bastante talentosa, mas quando pedi fotos à assessoria, percebi logo que era muita carne para pouca roupa.

Afinal, por que para fazer sucesso as cantoras precisam sempre estar peladas? Por que os cantores bons podem ser apenas bons cantores, enquanto as moças além de talentosas têm que ser sex symbol?

Se a gente parar para pensar só no caso do axé, percebe logo que a situação entre homens e mulheres é bem diferente. Durval e Bel nunca foram (e jamais serão!) os gatões, mas, olha só, tão aí há séculos. Agora pensa em Ivete, Cláudia Leitte, Alinne Rosa  e por aí vai:  gatíssimas e peladas, ainda que umas estejam mais vestidas que outras. Vai dizer que elas cantam menos que eles? Acho que não, hein?!

Acho que toda mulher tem todo o direito do mundo de se vestir do jeito que quiser – inclusive de andar nua – mas também acho que existe uma grande diferença entre ter atitude ao se vestir e tentar a todo custo se transformar em um pedaço de carne ambulante. Se tantas garotas têm tantos talentos, por que pernas, peitos e bundas têm que ser o que elas mais querem mostrar aos outros?

No texto, Sandra fala de uma pergunta que seu filho faz ao ver um comercial de cuecas do Beckham: “Mom, why is he on TV looking like THAT? Doesn’t he know he’s a great soccer player!?”

E a reflexão de Sandra: na próxima vez que a minha sobrinha vir Beyoncé fazer uma performance do tipo soft porn no Super Bowl, eu quero que ela pense “por que ela está desse jeito na TV? Ela não sabe que é uma ótima cantora?”.

 Beijo e até a próxima!

 
Deixe um comentário

Publicado por em 21 de fevereiro de 2013 em Guerra dos Sexos

 

Ano Novo e nada de simpatias

Quero fazer um protesto contra o Ano Novo e todas essas simpatias. É uma carga muito grande para pobres mortais que nem eu. Simplesmente não dá!

Lá estávamos eu e o namorado na praia, junto com família. Quase meia noite. Alguém teve a ideia de levar o cão, que se divertia horrores tentando cavar um túnel para a China.

“Vamos separar as passas!”, declara D. Thereza. “Vamos pegar as taças pro champanhe”, larga o Dito Cujo. “Alguém segura Chica!!!” implora o trambolho, recebendo areia na cara.

E lá estava eu, contando 12 passas para cada um, segurando uma taça na mão, desviando das lufadas de areia mandadas por Chica e falando para o namorado largar de uma vez o celular. Mais ou menos assim:

Caos

10!

9!

8!

7!

6!

5!

4!

3!

2!

1!!!

Beijaonamoradocome12passaspensaemumdesejoparacadaumaestouraebebeochampanheabraçatodomundoedesejafelizanonovo. UFA!

Faltavam as 7 ondinhas. Corre com o namorado para o mar. Primeira onda, o pedido vem logo na cabeça, facinho. O problema é que chegou na quarta e eu já não fazia mais ideia do que pedir. Precisava ter me preparado psicologicamente para isso. Analisado os atros, pensado no que eu quero para 2013. Assim, de cara, eu não tenho como saber o que eu quero. É muito difícil!

Resultado: pulei umas 3 ondinhas sem pedir nada. Comi 12 passas fazendo um pedido só. Desisti de qualquer outra simpatia porque não consigo decidir o que eu quero para o Ano Novo. Voltei estressada e frustrada com a minha total incapacidade para assuntos do Reveillon.

Feliz 2013 para vocês!

 
Deixe um comentário

Publicado por em 2 de janeiro de 2013 em Mundo cão, Pior é na Guerra

 

Dona Ernestina e a santa

A verdade é que todo jornalista (em especial os aspirantes como eu que, todos os dias, são bombardeados com a certeza de que a vida só vai piorar) acaba, vez ou outra, encontrando certas pessoas que fornecem um pouco de fôlego e fazem lembrar porque diabos mesmo alguém escolhe essa profissão.

Um dos colegas, por exemplo, tem dessas epifanias quando faz alguma matéria sobre crianças com câncer ou outra doença braba. Meu caso foi mais simples.

Eu fui escalada para cobrir a festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Chorei, esperniei, disse que não queria ficar debaixo de sol, na multidão e ainda ouvindo missa. Claro que jamais pronunciei qualquer dessas palavras a nenhum dos chefes, só quem ouviu mesmo foi o namorado.

Enfim, não tinha jeito, e lá fui. O sol não tava dos piores e de vez em quando caiam algumas gotinhas para refrescar, mas eu não estava nada feliz com a missão que eu tinha.

Sabe, incomodar aquelas pessoas no meio da missa para perguntar quais foram os problemas que as trouxeram até ali, de alguma forma, não me deixava nem um pouco confortável. Falei com algumas senhoras que conversavam desesperadamente, a despeito do olhar furioso dos que tavam em volta; persegui uma mulher com seus três filhos para saber se ela tinha feito alguma promessa para a santa; achei até uma barraqueira dos tempos do ronca que passou bons minutos me contando como tudo era maravilhoso antigamente. Mas aquela história chave para a matéria, aquele típico personagem para comover todo mundo, nada.

Foto: Joá Souza / Agência A Tarde

A missa, que parecia infinita, finalmente acabou. Ia começar a tal da procissão. Como quem tá na chuva tem mais é que se molhar, lá fui eu atrás.

Fiquei completamente surpresa com a quantidade enorme de velhinhos caminhando feliz da vida debaixo do sol. No auge dos meus vinte anos, eu já tava cansada. Não faço a menor ideia de que droga braba que aquele povo tomou para aguentar tanto tempo em pé e ainda sair pelo Comércio atrás de uma imagem.

E, lá no meio da confusão, quando eu já sentia tanto calor que nem lembrava mais porque mesmo estava ali, eis que me aparece Dona Ernestina Pereira. Assim, do nada mesmo.

Ela me falou qualquer duas palavras sobre o buraco da rua e agarrou no meu braço. De repente, me contou a história toda da vida.

Me disse que tinha 88 anos e que o marido havia falecido há quatro. Nunca teve filhos, mas falou que tinha uma afilhada muito querida, chamada Mariana, que tinha batizado com Irmã Dulce. Hoje, a filha de Mariana é também sua neta.

Soube que sua fé era tão inabalável que tinha saído de Itinga só para a festa, ritual que repete todos os anos. Na lavagem do Bonfim, faz o percurso todinho sem reclamar, mas que passou um tempo sem vir porque tinha feito uma operação nas vistas. E, ainda agarrada no meu braço, me falou dos santos que era devota e das inúmeras igrejas que visitava frequentemente.

Eu quase não fiz perguntas, mas ri bastante, porque Dona Ernestina é das pessoas mais alegres e espontâneas que conheci. Mais de uma semana depois, me lembro de cada palavra que me disse, sem que tenha sequer anotado uma linha. Não é a memória que é boa, posso garantir; foi a experiência que me marcou mesmo.

Não foi uma história triste nem senti que poderia mudar sua vida com minha matéria. Para ser bem sincera, o espaço acabou sendo tão pequeno que nem falei dela.

Minha “epifania” foi bem simples. Em nenhuma outra hipótese eu teria conhecido alguém assim. Se não fosse a profissão para me mandar para o cortejo de Nossa Senhora da Conceição da Praia, eu jamais teria ido.

A verdade é que a gente sofre, mas passa por experiências incríveis, conhece pessoas incríveis e conta histórias incríveis. A maioria jamais chegará aos jornais, mas todas ficam na memória. E, no fim das contas, acho que o que realmente importa é o que a gente vive. Eu, sem dúvidas, estou vivendo.

 

 

 
Deixe um comentário

Publicado por em 17 de dezembro de 2012 em Falando Sério

 

Sorriso Bobo

Mocinhas apaixonadas têm um certo hábito que, por mais racionais que sejam, não conseguem esconder. É aquele sorrisinho que vai surgindo, meio espontâneo e meio incontrolável, quando a gente se depara com sinais  do tal mais-que-tudo.

Pode ser uma mensagem dizendo coisas meigas, um boa tarde, uma foto que lembre aquele dia que você deu de cara pela primeira vez com o cidadão. Não interessa o local – pode ser na reunião com aquele chefe chato ou num conversa lastimável com aquela amiga da sua avó – quando ele insiste em aparecer, não há como controlar.

É o sinal mais claro que a tal moçoila está caidinha de amores. E, como caras serão sempre caras e, portanto, seres inferiores, nunca percebem. Os amigos até notam. Os tais que interessam, jamais.

Muitos dos meus amigos com problema de será-que-ela-gosta-de-mim se esquecem de reparar no principal. Quer saber mesmo? Olha nos olhos da garota e capricha no elogio. Se as bochechas corarem e o cantinho da boca der aquela tremidinha, o coração da moça é seu.

E, como boa moça meiga que sou, afirmo sem dó: feliz mesmo é aquela que acorda com uma mensagem de bom dia, todos os dias, e não tem sequer vontade de controlar o sorrisinho bobo que vai aparecendo.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 7 de novembro de 2012 em Licença Poética