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Arquivo do autor:Tainã Alcântara

Sobre Tainã Alcântara

Baiana, Arqueóloga e Leonina.

I’m Back

Sim, demorei horrores pra escrever. Disse que voltava, não voltei.
Mas voltei agora, porque descobri uma coisa fantástica que precisa muito ser ouvida nessa faxina massa que tem aqui.

Sei que normalmente quem expõem músicas maravilhosas e histórias fantásticas de seus autores/interpretes é Wladimir, mas dessa vez vou roubar a palavra.

Nunca disse aqui que amo Blues. Mas amo. Muito.

Tá certo que por conta do meu destino e tal um tango argentino me cai bem melhor, mas o fato é que a musicalidade do blues é fantástica. Dito issso, nada mais que justo que Belchior fosse cantado ao som de blues.

Justamente esse projeto fantástico que pode ser baixado, ouvido, todo free, que venho mostrar e dividir com vocês, pequenos gafanhotos.

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Prometo Wladimir que não roubarei mais seu style, mas você há de concordar comigo que essa roubada vale a pena:

Segue o link: http://www.belchiorblues.com.br

 

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E apesar de termos feito, tudo o que fizemos

“… ainda somos os mesmos e vivemos, como nossos pais. Nossos Ídolos ainda são os mesmos, e as aparências não enganam não. Você diz que depois deles, não apareceu mais ninguém. Você pode até dizer que eu to por fora, ou então que eu estou inventando. Mas é você que ama o passado e que não vê, que o novo sempre vem”

Sim. Belchior e Elis estavam certos. Ainda somos os mesmos. Infelizmente e felizmente. Felizmente nossos ídolos ainda são os mesmos. Estive esse domingo, acompanhada de uma quantidade realmente grande de gente que se reuniu no Parque Dona Lindu, em plena Avenida Boa Viagem, para assistir o ‘Viva Elis’, cantado de forma magnífica por Maria Rita, sua filha. Eu e uma legião de pessoas bem diferentes, mais velhas que eu, mais jovens que eu, todas cantamos em uníssono esses versos que estão escritos ai em cima. Lindo. Um momento com uma energia tão forte, tão mágica, tão impressionante, que fez chorar até os mais durões (que não é o meu caso) e me fez pensar sobre a ironia dessa frase: Ainda somos os mesmos.

Somos os mesmos que nos emocionamos com momentos como esses. Somos os mesmos que nos indignamos com maus tratos a crianças, a animais. Temos sempre causas por que lutar. E como não tê-las? A favor da livre expressão do amor, contra preconceitos de qualquer tipo, a favor da justiça e da igualdade. Temos. Mas também somos os mesmos que acreditamos em qualquer coisa que os grandes veículos de informação nos dizem. Somos ainda manipulados, como na época da ditadura, pelas propagandas, uma ditadura do comercio, onde ter é melhor que ser, sem duvidas, sem aspas.

Também somos os mesmos que assistimos numa única semana a um show em tributo a uma cantora extremamente politizada, e a políticos comemorando 48 anos do golpe militar, alias da “revolução”.  Ainda somos os mesmos que dizemos “mas tinha coisa boa na ditadura”, “foi a época que o Brasil cresceu mais”. Somos os mesmos que olhamos aquele quadro dolorido, na parede da memória, e pensamos: que mal faz? Já passou. Não. Não passou. E não passou porque somos os mesmos.

Não passou porque permitimos ditaduras em nossos micro-ambientes. Não passou porque suportamos, ainda, coronelismos, violências. Não passou porque ainda somos privados de nossos direito mais básico: a liberdade. Liberdade de agir da forma que quiser, respeitando as leis, questionando as leis. Liberdade de decidir o próximo passo da nossa vida. Não passou porque nos deixamos, muitas vezes, abater pelo medo. Medo, não mais da policia (as vezes), medo de não se encaixar num grupo especifico. Medo de ficar isolado. Medo de parecer ridículo. E esse medo nos faz parar, sem pensar.

Mas, ainda somos os mesmos, que lutamos para ver esse país ‘livre’. Somos os mesmos que aplaudimos Elis, Caetano, Chico, Gil, Belchior e que hoje aplaudimos Maria Rita, Davi Moraes, Céu, Seu Jorge, entre tantos outros. E apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda temos muito o que fazer, como nossos pais.

 

Tainã Alcântara

 
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Publicado por em 3 de abril de 2012 em Guerra dos Sexos

 

Verdades Ácidas

Sharon Stone em Instinto Fatal 2
O Que te Resta de Esperança
Teus olhos dizem verdades
Pequenas, vãs, perecíveis
Aparecidas nos caminhos de teus passos
Enganosas, rapinas, normais
Porque eu sou a renovação
E sei ser careta nas horas certas
E porra louca demais nas que me restam
E você, fruta madura, doce e suculenta
Sabe que atrai, cedo ou tarde
Aqueles buracos
Aqueles pássaros sedentos
E você não diz mais “olha aqui fedelho”
Porque você é dor, amargura e medo
Você é criança machucando seu joelho
Agonizando à espera da mãe
E eu sou o que te resta de esperança
Aquela mão sem vícios que te acaricia no rosto
E que mexe em seus cabelos
Aquele olhar de poeta diante da musa
E que adora amores platônicos
O riso do menino na floresta
A preguiça e o prazer de ouvir o som dos pássaros
Breno Lemos
O Que te Resta de Esperança – Resposta

Olha aqui fedelho
Dor, amargura e medo somos todos
A diferença entre você e eu
É que não tenho medo de assumir quem sou
Ou o que sinto
Verdades existem várias: as suas e as minhas
E na verdade mesmo, nenhuma delas é verdadeira
As coisas que você pensa que sabe
Sobre o que meus olhos dizem
ou sobre o que meus passos revelam
São reflexos de seu mundo imaturo
Você não sabe, não consegue, compreender uma mulher
e muito possivelmente nunca será capaz de fazê-lo
Não se continuar se escondendo nessa máscara
de menino malvado
Se permita cair, machucar o joelho
chorar algumas vezes
Sinta na pele o que uma mulher sente
Se quiser algum dia pisar no coração de uma
Minhas esperanças são diversas
Não pense ser o único
Vejo como você me vê
Assustado, impreciso, metódico
O amor, a paixão ou qualquer coisa assim
não segue regras, a não ser uma
E nela, você é apenas um expectador
E eu sou o Poeta e também a musa!

Tainã Alcântara

Peço desculpas pelo sumiço, anda dificil conciliar o trabalho, os estudos, a vida e os blogs. Por isso peço licença pra reciclar um texto do Essências de 15/06/2008, onde fiz uma brincadeira com Breno Lemos, respondendo um texto dele. Espero que gostem.

 
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Publicado por em 6 de março de 2012 em Guerra dos Sexos

 

Carnavais

Imagem divulgada por recifenses no facebook - Direcionadas pra mim!

Ser Baiana em Recife não é fácil, mas não é de todo ruim. Muita coisa é diferente daquela que estou acostumada, que cresci sabendo, mas na maioria essas coisas são legais também. Apesar de não poder chamar macaxeira de aimpim, jerimum de abobora, feijão macassa de feijão de corda, entre várias outras, normalmente lido bem com as diferenças, acho até interessante o fato de tomarem caldo de mocotó na praia, e vou levando a vida. Aprendi a lidar com a megalomania pernambucana (o maior do mundo, a veneza brasileira, o melhor, a maior avenida, o maior e melhor, etc..) na maioria das situações, mas durante essas semanas que antecedem o carnaval não tem quem aguente.

Logo que percebem que não sou daqui perguntam e me perguntam de onde sou, após ouvirem minha resposta, em 99% das vezes a frase que se segue é: “- O Carnaval daqui é melhor!” Ora Porra! Eu não perguntei o que você achava do carnaval de lá, ou o daqui! Tenho várias respostas para esse tipo de situação: 1 – Quando não conheço a pessoa e/ou não quero discutir: “Gosto é que nem cabelo” ou “Cada pessoa tem a sua opinião”. 2- Quando já tenho alguma intimidade com a pessoa: “É melhor coisa nenhuma, se fosse melhor, nas prévias de vocês não tinha cantor da Bahia”. 3- Quando to abusada dessa história de comparação de carnaval: “Meu filho!!! Você quer fazer o favor de deixar o carnaval da Bahia em paz??? Você acha que lá, o povo tá preocupado se o carnaval é melhor que o daqui, o do Rio de Janeiro, o de Veneza (a verdadeira) ou de qualquer outro canto desse mundo?? O povo lá só quer se divertir. Se divirta aqui e pronto! Oxe!”

Normalmente o que se segue é: Porque o nosso carnaval é multicultural, porque toca de tudo, perere e caixinha de fosforo. Pra começar, de tudo num toca, porque não toca axé, nem pagode. Depois que normalmente consiste em meia duzia de musicas que se repetem todo ano. Tá tá, é bonito, é colorido ,não tem corda. É interessante. Mas essa marcação cerrada com o carnaval da Bahia realmente tira o gosto da coisa, para nós baianos. Porque se a gente resolver curtir o carnaval ainda ficam passando na cara: Seu carnaval num é o bom, tá vendo que o daqui é melhor!

Não! Não to vendo! Não é melhor! Ambos são bons! Eu cresci na Bahia, prefiro o de lá, não quer dizer que não goste do daqui, que não tente dance frevo, que não ame maracatu. Eu sei que existe toda uma industria do carnaval na Bahia, mas vou dizer uma coisa aqui, nunca sai em bloco nenhum em salvador. Saio todo dia de carnaval na Pipoca e nunca fui assaltada nem me envolvi em briga e me divirto muito. DE GRAÇA. E Toca de tudo de verdade: axé, pagode, arrocha, sertanejo (eca), rock, eletronico, mpb, etc… em 3 circuitos oficiais e vários outros alternativos. Não quer dizer que seja melhor que o de Recife pra mim é. Só quer dizer que eu gosto de ouvir “imagina só que loucura essa mistura” e arrepiar até o ultimo fio de cabelo. E por favor, parem de querer me fazer sentir culpada por isso!!

Obrigada.

 
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Publicado por em 31 de janeiro de 2012 em Falando Sério, Pior é na Guerra

 

Na Próxima Encarnação Quero ser Homem!

Fragmento da tirinha do blog http://www.umsabadoqualquer.com/

Fragmento da tirinha do blog http://www.umsabadoqualquer.com/

É, eu desisto! na próxima encarnação quero vir homem, quero não faço questão. Por que essa decisão tão radical? Não é que eu não goste de ser mulher, mas ser mulher cansa. E Cansa muito!! Tem que fazer depilação, ajeitar o cabelo, entender de maquiagem, entender de moda (mesmo que não siga a moda, tem que saber o que fazer pra não seguir), entender de decoração, saber fazer trabalhos manuais, tem que arrumar a casa, saber cozinhar. Ai vem você, querido leitor, e diz: “- mas isso é coisa do passado, hoje em dia as mulheres estão livres desses afazeres todos!!” Eu acho lindo esse discurso pós-feminista, mas na teoria, porque na pratica mesmo ele não acontece. Qualquer um, inclusive eu, vai julgar uma mulher que deixa de fazer depilação (principalmente em locais visiveis), todo mundo critica uma mulher que não sabe se vestir (sim, criticam os homens também, mas em escala bem menor). Todos esses atributos ai de cima, constroem o que a sociedade chama de “mulher de verdade”, e cá pra nós, eu não sou uma dessas. Não que eu ande desarrumada ou peluda, mas eu não gosto dessa obrigação de ter que ser. E gosto de cozinhar, inclusive, mas quando eu quero, não porque eu TENHO que saber cozinhar.

E tem mais. Hoje em dia pra sermos “mulheres de verdade” ainda temos que dar conta de tudo o que os homens fazem também: trabalhar fora 2 ou até 3 turnos, dirigir, estudar, se tornar auto-suficiente, assistir futebol, gostar de MMA, tomar cerveja etc. Não que eu ache que isso de muito trabalho, pelo contrário, eu acho ótimo. Me divirto  muito fazendo “coisas de homem”, escavando com pá, picareta e colher de pedreiro, aprendendo “artes” antes exclusivamente masculinas, lidando com homens em obra (que não é facil), mas é tudo legal. Só que DOBRA o trabalho. Temos que ser lindas, cheirosas, prendadas, brutas e autoritárias.

Além de tudo, temos que estar constantemente lutando pelo nosso espaço na sociedade. Sim, ainda existe muita descriminação. Existem aquelas veladas e as descaradas: de um garçom que se recusa a anotar o pedido da mulher enquanto houver um homem na mesa a um professor renomado da universidade que se recusa a trabalhar com mulheres (por mais competetes que sejam). E o pior é que como (teoricamente) a sociedade está igualitária ainda temos que ouvir coisas como: “vocês estão reclamando de barriga cheia”.

Mas o que mais me incomoda em ser mulher é biológico. Não são as cólicas ou a menstruação. O que me incomoda de fato é a TPM. Isso porque a pessoa fica chata! Sim eu fico chata… tão chata que nem eu me suporto. Super sensivel. Qualquer coisa me irrita. Ainda tem gente que percebe, ou ouve um dos meus anuncios (sim, anuncio porque acho mais justo) e ai se empenha mais em perturbar seu juizo.E como se não bastasse todo o efeito psicológico de ordem hormonal, nosso corpo muda. E muda muito. O peito incha e dificulta dormir, na verdade tudo incha. A coluna doi, tem quem tenha enchaqueca, tem quem tenha enjoo, tem quem tenha crises profundas de mau humor meu caso devido a essas questões todas.

Fragmento da tirinha do blog http://www.umsabadoqualquer.com/

Por isso digo, toda a dificuldade de ser mulher nos dias de hoje eu enfrento, sorrindo e de salto! Mas a TPM não. Não enfrento. Não quero mais. Chega!

 
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Publicado por em 17 de janeiro de 2012 em Guerra dos Sexos

 

Quando parar?

Então… Acontece que essa história aconteceu com a amiga de uma prima de uma colega de trabalho. E ela teve esse problema, com essa pessoa problema, pela qual se apaixonou e isso acabou deixando a vida dela realemente desestruturada. Em vários aspectos: primeiro porque ela nunca se imaginou gostando tanto de alguem como gosta da criatura em questão. Não, e não é clichê. Era um fato. E ela o admitiu (era o mais sensato a se fazer). E depois porque em nome desse gostar completamente descontrolado ela abriu mão de um monte de coisa, quando ela abriu mão do amor próprio. E se deu conta disso também.

Foi quando ela me perguntou: “Quando devemos parar de lutar, ou de esperar, de querer, alguem que gostamos muito?”. E eu sou  muito radical nessas horas respondi curto e grosso: “Assim que a pessoa demonstre não ter respeito algum por você”. Só que ela continuou me perguntando o que é o respeito, porque se uma pessoa erra, ela merece uma segunda chance, mas não merece uma terceira? Quando percebemos que já demos chances demais, ou quando já estamos cansadas de esperar por uma mudança no tal comportamento complicado e ela resolve aparecer justo ai, quando estamos começando a desistir, o que é certo fazer? Desistir? Deixar pra lá todo o tempo e esforço e carinho que você dispensou e partir pra outra, ou achar que finalmente todo aquele amor fulminante será agora correspondido? “E quando as pessoas são mais complicadas que nós?”. Não soube mais o que responder.

Eu mesma já passei por uma situação assim, e sinceramente, não sei como se resolveu, sei que resolveu.E pensando bem a respeito eu gostaria de ter pensado mais a respeito, na época. A vida da gente é realmente complexa e cada cabeça é um mundo e esse mundo é magico pra uma cabeça diferente… quando é a hora de deixar pra lá? Não sei.

 

 
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Publicado por em 10 de janeiro de 2012 em Porta Retrato

 

A Ferro e Fogo

Hoje queimei seu rosto e nossos beijos,
De pé descalços, vi arder sorrisos e abraços,
Carinhos e afagos,
Consumidos e finados em cinzas nossos mais antigos laços.

De porte da marreta e da bigorna,
Amassei a prata nobre,
Uma depois duas e então três vezes,
Até que ela partisse ao meio,
Até que seu nome já não mais fosse lido.

No frio da noite silenciosa,
Cheirando a fumaça de papel e plástico.
E a ferro oxidado.
Dou por encerrado nossa história.

Rafael Casati
03/01/2012

 

E é exatamente assim que me sinto.

 

 

 
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Publicado por em 3 de janeiro de 2012 em Licença Poética, Porta Retrato