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Arquivo da categoria: Falando Sério

Barcelar

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Às vezes eu penso como seria a triagem na porta do céu. Já te ocorreu tal pensamento? Imagino São Pedro na portaria com uma caderneta na mão, ou tablet, sei lá, e a me perguntar:

– Seja bem vindo, Bacelar. Espero que tenha apreciado os pães e peixes que servimos na sala de espera.
– Pães… Quem diz pão no plural? Esse santo deve ser viado. Hehe ( pensamento)
– Sabia que posso ouvir teus pensamentos aqui?
-Grande Santo! Esse é o Santo mais mizerê do mundo! Do Brasil! Quiçá até da Bahia! O nota 10 na escala da santa mizerabilidade! (Pensamento)
– vou ignorar isso. Enfim… Quantas cervejas o senhor bebeu durante a sua vida na terra?
– 17437, Senhor Santo! Tomei umas cana tumbêim, mas não sei se entra em sua contabilidade santa.
– responda somente o que te é perguntado! Aqui não se acha graça em gaiatice de baiano.
– Agora entendi! Esse corno deve ser paulista. Sujeito azedo da peste! Esse na escala de pH é nota dez de azidume!
– 10 seria alcalino, não?
– Santo, na moral… Sáporra eu posso entrar ou não? Que apurrinhação! Avie!
– Desculpe, senhor, ficaste abaixo da cota celestial de 17449 cervejas. Sinto muito. Próximo!
-Ficaste… É viado mermo, rapá! ( pensamento)
-Senhor, contenha-se!
-Mas por uma caixa, bicho santo? Aí também já é demais também…
– Já aconteceu de gente voltar por menos. Entenda e aceite isso!
– Mas eu também tomei umas Pitu¥, Caninha da roça, milome, Pau de rato, jurubeba, erva doce, Bhrama fresh, que Deus me perdoe!, capim Santo, aí ó! Tá veno você? Quebra essa pra mim aí, Pedrão! Na moral.
– sem chance!
– Ah! Eu tomei 243 garrafas de São Jorge também! Posso falar com ele?
-Falei que esse lance do Jorge ia terminar em Lobby. Um minuto… Tudo bem. Pode entrar. São Jorge disse que você está nas cotas dele e que até por isso está chegando 7 anos adiantado.
– Valeu, meu Santo! Cá sua licença…

Moral da história: sempre tome mais uma caixa. O humor de São Pedro é imprevisível.

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Publicado por em 19 de setembro de 2015 em Falando Sério

 

Perrengues

mundo novo ba

Acho que todo mundo já deve estar sabendo do “perrengue” que eu passei segunda-feira passada. Um assalto que, segundo dizem, durou pouco mais de 1h… mas que pareceu uma eternidade, ainda mais por ter seguido no carro dos assaltantes por mais um tempo até eles abandonarem o carro.

Aí, aquela coisa de que todos falam, realmente acontece. Passou sim um filme em minha cabeça, a preocupação de todas as pessoas comigo e a minha preocupação com todas as pessoas (próximas e distantes), é mais do que real. Eu só posso agradecer a força e energia que todos me passaram.

E tenho também que me revoltar com a postura das pessoas que estavam em seus locais seguros e rindo, achando o máximo, como se estivesse assistindo um filme de ação. Pior ainda as pessoas que aplaudiram os assaltantes, que provocaram (diretamente ou não) tamanho terror, que deixaram um colega baleado e que me deixaram, de certa forma, traumatizado.

É uma coisa que eu não desejo passar nunca mais em minha vida, mas que estaremos cada vez mais sujeitos se nada for feito em relação à segurança.

Repreender a atitude da polícia em trocar tiros com os criminosos com o carro cheio de reféns é muito válido. Mas aplaudir e ovacionar os bandidos que somente trouxeram terror para dentro de muitas famílias é ridículo e deve ser repudiado e rejeitado por quem perceber tal atitude.
Saber que assalto a banco é visto como uma prática heróica é um sentimento desolador.

Fico muito triste com essa violência na minha região, fere as lembranças da minha infância, dos melhores dias da minha vida. Destrói tudo o que pode haver de mais belo numa cidade.

Abaixo alguns links do que aconteceu, a matéria do jornal A Tarde e alguns comentários bizarros (nos vídeos).

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.456537167754860.1073741829.355036881238223&type=1

 
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Publicado por em 12 de maio de 2013 em Falando Sério, Mundo cão

 

Todos tem que ajudar!

Trabalhei numa cidade onde colegas fizeram a prisão de dois assaltantes de banco antes que a ação fosse consumada.
No carro havia muitas armas e eles estavam sondando a cidade para agir.
Fiquei sem acreditar que aqueles caras eram assaltantes. Muito bem apessoados, como aqueles que a gente para numa blitz e vai logo dizendo que é cidadão.

Eles confessaram o plano de assalto e ambos eram de outros estados.

Perguntei a eles: “Por que sair de tão longe para assaltar na Bahia?”
Eles disseram: “Porque a polícia da Bahia não aborda”.

Aquilo nunca saiu da minha mente e fiquei a me perguntar se ele estava correto ou só “tirando onda”.

É fato que, em lugares onde a polícia faz blitz, aborda muita gente e age preventivamente, a incidência de assalto é bem menor.

Todavia, é culpa dos policiais quando a violência aumenta? Dá pra fazer esse trabalho sem que os tais “cidadãos” achem ruim e vão correndo para seus padrinhos políticos pedir intervenção?

Muitos políticos, por sua vez, vão dar queixa de que os policiais estão incomodando o povo.

Daí, quando o policial cruza os braços, os bandidos fazem a festa, drogas e armas enchem a cidade e o povo, na cara mais cínica, volta criticando os policiais.

Dizem que um certo animal não olha pro rabo e eu acho que esse animal chama-se HOMEM.

Quando é abordado numa blitz só deve ter medo se vc anda errado. Mas… às vezes a maioria anda errada. Como vai gostar, né?

Há outra parcela da sociedade. Gente de bem que não tem culpa. Que elogia quando a polícia atua fortemente. Mas também comete o erro de ser omissa. Só os errados vão aos políticos, os corretos não chegam para dizer que os policiais estão corretos quando atuam. Quando abordam e quando notificam.

Sabe qual é o grande lance?

A maioria das pessoas quer andar errada no trânsito. E se a polícia vai a procura de arma e encontra um menor pilotando um veículo, é OBRIGAÇÃO do policial notificar e conduzir à delegacia. Isso é crime. CRIME! Entendeu?

Se o povo quer uma polícia melhor, deve parar também de impedir que bons policiais atuem como a lei manda.

 
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Publicado por em 19 de fevereiro de 2013 em Falando Sério, Mundo cão

 

I’m Back

Sim, demorei horrores pra escrever. Disse que voltava, não voltei.
Mas voltei agora, porque descobri uma coisa fantástica que precisa muito ser ouvida nessa faxina massa que tem aqui.

Sei que normalmente quem expõem músicas maravilhosas e histórias fantásticas de seus autores/interpretes é Wladimir, mas dessa vez vou roubar a palavra.

Nunca disse aqui que amo Blues. Mas amo. Muito.

Tá certo que por conta do meu destino e tal um tango argentino me cai bem melhor, mas o fato é que a musicalidade do blues é fantástica. Dito issso, nada mais que justo que Belchior fosse cantado ao som de blues.

Justamente esse projeto fantástico que pode ser baixado, ouvido, todo free, que venho mostrar e dividir com vocês, pequenos gafanhotos.

/

Prometo Wladimir que não roubarei mais seu style, mas você há de concordar comigo que essa roubada vale a pena:

Segue o link: http://www.belchiorblues.com.br

 

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Drogas, Vem Pensar

drogas, vem pensar

AOS RELIGIOSOS:

Um dos capítulos do projeto “DROGAS, VEM PENSAR” se refere à parceria com instituições religiosas.

A parceria visa a instrução do grupo através de cursos sobre drogas. E o objetivo desde grupo é disseminar o que aprendeu sobre drogas ao máximo de pessoas possível.

Não é lidar com viciados, é informar às pessoas que ainda não são viciadas sobre o que é droga, quais seus efeitos e consequências. A decisão de usar ou não é sempre de cada um. Precisamos informar para que tomem a decisão correta.

Precisamos, com urgência, de voluntários das entidades religiosas para, após autorização do líder da entidade, iniciar o curso.

Desde já agradecemos o apoio.

 
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Publicado por em 18 de janeiro de 2013 em Falando Sério, Mundo cão

 

Um laço.deslaço.

Andei pensando cá com meus botões coloridos e cheios de formas que do humano não se podem ser aceitas mais desculpas machistas e cafas sobre os hormônios masculinos e o fato de biologicamente os machos serem feitos para produção em massa e não em qualidade… sei que já anda clichê além da conta esse assunto, mas é que ele cada dia mais tem feito sentido para mim. Não estou aqui para dar uma de moralista de que trair é uma coisa que eu nunca faria e que é um absurdo etc etc etc. Hoje percebo em mim a capacidade de relacionamentos mútuos sem maiores aflições ou subversões de desejos, nem por isso virei macho. Porém, vejo também a opção de estar contente e bem com um única pessoa, uma pessoa que me faz compreender viver de acordo com as convenções hipócritas sociais. Não por uma moral, não por um social em si, não por um biológico, mas pela satisfação e agrado de sermos somente dois.

Apois, eu, que estou aqui impregnada de amor da ponta do dedão do pé até a ponta da parte maior do meu cabelo (considerando ele como estando arrepiado neste momento), vim aqui refletir sobre o trair como algo que se direciona a simplesmente falta de respeito não só com a outra pessoa, mas consigo mesmo. O trair não na perspectiva de que o homem sai de corno e a mulher de puta, ou que ele é o mulherengo (que vai nascer e morrer torto) e a mulher uma fraca que não sabe segurar marido. Muito menos aquele trair de que a mulher deve ser submissa e entender as necessidades masculinas (quetacomisso!). Mas, o trair como o mais fiel retrato da covardia de assumir para o outro (e, as vezes, até para si mesmo) de que seus interesses andaram mudando de rumo, ou, talvez, que nunca tenham sido o de formar um laço com essa pessoa. O trair numa perspectiva de uma estúpida zona de conforto a qual se tenta manter um passarinho na mão com medo de todos ficarem voando. O trair pela pobre ideia de que quem trai é quem não se encontra satisfeito com a vida.

Sabem, pouco me importa hoje o que um padre disser que foi Deus quem uniu. Vivemos em um mundo que os papeis acordados em frente ao juíz, principalmente quando a conta bancária é gorda, valem mais. Pouco me importa o que o vizinho vai pensar ou o que a família vai dizer. De uma coisa eu sei… somos livres para escolher os caminhos que seguimos e mais livres ainda na forma como interagimos socialmente. E se um laço foi feito dentro destes parâmetros, nem o escambau, nem a putaquepario, justificam a agressão que se faz nesse laço quando se opta pela traição… pois, neste momento se é negado de ambos os parceiros a ordem clara dos seus desejos.

 
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Publicado por em 20 de dezembro de 2012 em Falando Sério, Guerra dos Sexos

 

Dona Ernestina e a santa

A verdade é que todo jornalista (em especial os aspirantes como eu que, todos os dias, são bombardeados com a certeza de que a vida só vai piorar) acaba, vez ou outra, encontrando certas pessoas que fornecem um pouco de fôlego e fazem lembrar porque diabos mesmo alguém escolhe essa profissão.

Um dos colegas, por exemplo, tem dessas epifanias quando faz alguma matéria sobre crianças com câncer ou outra doença braba. Meu caso foi mais simples.

Eu fui escalada para cobrir a festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Chorei, esperniei, disse que não queria ficar debaixo de sol, na multidão e ainda ouvindo missa. Claro que jamais pronunciei qualquer dessas palavras a nenhum dos chefes, só quem ouviu mesmo foi o namorado.

Enfim, não tinha jeito, e lá fui. O sol não tava dos piores e de vez em quando caiam algumas gotinhas para refrescar, mas eu não estava nada feliz com a missão que eu tinha.

Sabe, incomodar aquelas pessoas no meio da missa para perguntar quais foram os problemas que as trouxeram até ali, de alguma forma, não me deixava nem um pouco confortável. Falei com algumas senhoras que conversavam desesperadamente, a despeito do olhar furioso dos que tavam em volta; persegui uma mulher com seus três filhos para saber se ela tinha feito alguma promessa para a santa; achei até uma barraqueira dos tempos do ronca que passou bons minutos me contando como tudo era maravilhoso antigamente. Mas aquela história chave para a matéria, aquele típico personagem para comover todo mundo, nada.

Foto: Joá Souza / Agência A Tarde

A missa, que parecia infinita, finalmente acabou. Ia começar a tal da procissão. Como quem tá na chuva tem mais é que se molhar, lá fui eu atrás.

Fiquei completamente surpresa com a quantidade enorme de velhinhos caminhando feliz da vida debaixo do sol. No auge dos meus vinte anos, eu já tava cansada. Não faço a menor ideia de que droga braba que aquele povo tomou para aguentar tanto tempo em pé e ainda sair pelo Comércio atrás de uma imagem.

E, lá no meio da confusão, quando eu já sentia tanto calor que nem lembrava mais porque mesmo estava ali, eis que me aparece Dona Ernestina Pereira. Assim, do nada mesmo.

Ela me falou qualquer duas palavras sobre o buraco da rua e agarrou no meu braço. De repente, me contou a história toda da vida.

Me disse que tinha 88 anos e que o marido havia falecido há quatro. Nunca teve filhos, mas falou que tinha uma afilhada muito querida, chamada Mariana, que tinha batizado com Irmã Dulce. Hoje, a filha de Mariana é também sua neta.

Soube que sua fé era tão inabalável que tinha saído de Itinga só para a festa, ritual que repete todos os anos. Na lavagem do Bonfim, faz o percurso todinho sem reclamar, mas que passou um tempo sem vir porque tinha feito uma operação nas vistas. E, ainda agarrada no meu braço, me falou dos santos que era devota e das inúmeras igrejas que visitava frequentemente.

Eu quase não fiz perguntas, mas ri bastante, porque Dona Ernestina é das pessoas mais alegres e espontâneas que conheci. Mais de uma semana depois, me lembro de cada palavra que me disse, sem que tenha sequer anotado uma linha. Não é a memória que é boa, posso garantir; foi a experiência que me marcou mesmo.

Não foi uma história triste nem senti que poderia mudar sua vida com minha matéria. Para ser bem sincera, o espaço acabou sendo tão pequeno que nem falei dela.

Minha “epifania” foi bem simples. Em nenhuma outra hipótese eu teria conhecido alguém assim. Se não fosse a profissão para me mandar para o cortejo de Nossa Senhora da Conceição da Praia, eu jamais teria ido.

A verdade é que a gente sofre, mas passa por experiências incríveis, conhece pessoas incríveis e conta histórias incríveis. A maioria jamais chegará aos jornais, mas todas ficam na memória. E, no fim das contas, acho que o que realmente importa é o que a gente vive. Eu, sem dúvidas, estou vivendo.

 

 

 
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Publicado por em 17 de dezembro de 2012 em Falando Sério