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Arquivo da categoria: Licença Poética

Um último adeus

Na madrugada de primeiro de janeiro, vesti meu amuleto e pedi ao universo que me desse a chance de aprender a amar. Nesse mesmo dia, com o sol nascendo para nos desejar boa sorte, eu te beijei, você me convidou para dançar na beira do mar e cantou no meu ouvido. Eu soube, então, que seria sua.

Dois anos, oito meses e vinte e um dias depois, na madrugada do dia em que você me deu seu último adeus, meu amuleto se partiu ao meio. Sem muita explicação, simplesmente quebrou. Meu coração quase se foi junto. Mas, no fundo, sei que foi lindo e foi duro, e que tudo valeu a pena.

Sou uma pessoa melhor, mais madura e mais feliz por ter te conhecido. Obrigada por ter me ensinado a amar.

 

Da sua nada, sua quase-nada, sua mais-que-tudo.

 
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Publicado por em 23 de setembro de 2013 em Licença Poética

 

Corujinha

Você sabe que meu amor é crônico
O que tem entre nós é mais que química
Este que ‘cê diz viver um conto erótico
Tem é a experiência de um ingênuo

O nosso mundo é perto do fantástico
Um começo um pouco mais do que cômico
Um filme que não se define gênero
Uma forma inexistente de música

Mesmo tudo sendo singular, rápido
Continuo o de sempre, o mesmo rústico
Que me apresento jovial, simpático
Depois me mostro este grande esdrúxulo

Pra me arrepender não preciso ser lúdico
Mesmo estando num nervosismo atônito
O que fiz pode não ter sido ético
Mas não é justo me banhar com críticas

Nesse lance eu não tenho tanta prática
Mesmo sendo sempre muito romântico
É um jogo em que não sou um fenômeno
O que eu quero é que você seja a última

corujinha

 
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Publicado por em 8 de setembro de 2013 em Guerra dos Sexos, Licença Poética, Pseudo Cult

 

A lua

“A nossa lua passeando em minha terra,
Prateando toda a terra, aumentou minha paixão…
Não disse nada, foi-se embora à madrugada
Sua ausência deixou triste o meu coração…”

lua piritiba interior

 
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Publicado por em 23 de julho de 2013 em Licença Poética

 

Gigante olhar castanho

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Corria com o olhar esperto, pulava em minhas costas
e me perguntava se estava mais pesada
Trazia sempre um riso alegre

Trocava comigo mensagens, pequenos erros no que escrevia
Mas não se contia… Tinha muito pra dizer
Mesmo que em Faz de conta

E nos teus olhos gigante me via
Refletido em brilho castanho
… E agora, já estou pesada ?

Thalles Nathan 17/07/13

 
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Publicado por em 17 de julho de 2013 em Licença Poética

 

Diário de bordo

Música pro post:

Veja como as coisas mudam:

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Não achei passagem para Salvador mais uma vez, mas o final de semana no interior não é de todo ruim.

Voltei a fazer umas coisas que eu não faço há um tempo, tipo dormir rsrsrs
Ainda joguei um futebolzinho, comprei as coisas pro computador funcionar, e descobri que não posso mais deixar dinheiro no banco porque quase ninguém aceita cartão (pelo menos a Águia Branca aceita).

Aqui não está chovendo mas a galera está feliz porque choveu (e muito) na região.

E só agora que eu vi que o celular posta sem eu mandar. Hehehe

Enfim, está tudo em paz e semana que vem sairei da chuva daqui pra ver a chuva de Salvador.

 
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Publicado por em 21 de abril de 2013 em Licença Poética, Porta Retrato

 

A melancolia entre Juquinha e Roger

Estou montando o vídeo do aniversário de Juquinha. Esse não é o seu nome verdadeiro, mas eu e Bianca achamos engraçado chama-lo assim. Seu nome verdadeiro é muito mais sóbrio do que isso. Por enquanto, para nós, seu nome é Juquinha, como todos os meninos de um ano deveriam se chamar. E ele tem um ano. E às vezes ele ri aqui pra mim e eu percebo que crianças podem ser adoráveis, encantadoras mesmo. Há um momento fantástico em que ele me percebe e caminha em direção à câmera, sorrindo. Só agora ouvi que sorri de volta e que nossos risos se encontraram.

Eu pensei em usar algumas músicas da trilha de “Onde Vivem Os Monstros”, mas os pais dele podem estar esperando outra coisa completamente diferente. Há uma melancolia cortante em algumas dessas músicas. Fui com Patati e Patatá. Esse não sou eu, obviamente. Não gosto de filmar aniversários de crianças, ou casamentos, mas é assim que as coisas são. Às vezes, claro. E a melancolia do trabalho solitário nas madrugadas é menos cortante do que a desgraça diária em um escritório de imobiliária, por exemplo. Mas cortantes, cortantes mesmo, sãos as músicas de Karen O, para a trilha sonora de “Onde Vivem os Monstros”. E não há nada que me induza mais ao estado de melancolia do que uma música. Só a morte. E enquanto eu filmava o aniversário de Juquinha, um grande artista estava prestes a morrer. Roger Ebert. Crítico de cinema. Escritor brilhante. Sim, ele era um artista. E sua morte me levou a um surpreendente nó na garganta.

Um dia após a morte de Roger, e dois dias após o aniversário de Juquinha, eu e Bianca fomos a um espetáculo de dança. Em um dos atos, eles tocaram uma música da excepcional trilha sonora de “O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford”, chamada “Song For Bob”. A melancolia se instalava.

Roger escreveu um livro de memórias em 2011, intitulado “Life Itself”. O livro ainda não foi traduzido para português, mas o também crítico Pablo Villaça, amigo e colaborador de Roger, traduziu uma passagem do livro e publicou em seu blog, dias após a morte de seu mentor:

“Eu sei que ela está vindo, mas não a temo, pois acredito que não há nada do outro lado da morte para temer. Espero ser poupado o máximo possível da dor no caminho de chegada. Eu era perfeitamente feliz antes de nascer e penso na morte como sendo o mesmo estado. Sou grato pelos dons da inteligência, do amor, da capacidade de maravilhar-me e do riso. Não se pode dizer que não foi interessante. As memórias de minha vida são o que eu trouxe de volta da viagem. Não precisarei delas na eternidade mais do que precisarei daquele pequeno souvenir da Torre Eiffel que trouxe de Paris.

Não espero morrer logo. Mas poderia acontecer neste momento, enquanto escrevo. Outro dia eu conversava com Jim Toback, um amigo há 35 anos, e a conversa se voltou para nossas mortes, como sempre acontece: “Pergunte a qualquer um como se sente sobre a morte”, ele disse, “e eles te dirão que todo mundo morrerá. Pergunte então: ‘Nos próximos 30 segundos?’. Não, não, isso não. ‘E esta tarde?’ Não. O que você realmente está querendo que eles admitam é: Oh, meu Deus, eu não existo de verdade. Eu posso partir a qualquer segundo.”

Eu também posso, mas espero que não parta. Tenho planos. Ainda assim, a doença me conduziu resolutamente em direção à contemplação da morte. Isto me levou ao tema da Evolução, a mais consoladora de todas as ciências, e me vi envolvido em meu blog em discussões inesperadas sobre Deus, o pós-vida, religião, teoria da evolução, design inteligente, reencarnação, a natureza da realidade, o que veio antes do big bang, o que aguarda após o fim, a natureza da inteligência, a realidade do Eu, morte, morte, morte.

Muitos leitores me informaram que é um negócio trágico e melancólico ir em direção à morte sem alguma fé. Eu não sinto isso. A “Fé” é neutra. Tudo depende daquilo em que se acredita. Eu não tenho desejo algum de viver para sempre. O conceito me apavora. Tenho 69 anos, tive câncer, vou morrer antes da maioria das pessoas que agora leem isso. Esta é a natureza das coisas. Em meus planos para a vida após a morte, digo, novamente com Whitman:

Eu me lego à poeira para crescer da grama que amo,

Se me quiser de novo, procure-me sob suas botas.”

É fascinante a relação de admiração e amizade que Pablo Villaça estabeleceu com Roger Ebert. Ainda este mês, acontecerá a edição anual do Ebertfest, festival de cinema criado pelo Roger, e o Pablo comparecerá. Através de seu Twitter, ele convocou a todos os interessados para uma homenagem ao Roger. Ele imprimirá e encadernará todas as mensagens sobre o Roger que forem enviadas ao seu e-mail e as entregará à sua viúva durante o Ebertfest, como um tributo brasileiro ao mestre. Escrevi uma mensagem.

“Ganhei “Grandes Filmes” como um dos presentes pela minha primeira graduação. Ganhei da gerente de RH do meu primeiro estágio. Conversava com ela sobre a vontade de me tornar cineasta e cheguei a mostrar alguns primeiros trabalhos pavorosos para ela. Foi um choque. Nunca havia lido críticas como aquelas, tão apaixonadas. A crítica cinematográfica se apresentava como possibilidade de realização artística pela primeira vez para mim. E procurei mais sobre o Roger. Muito mais. Tudo o que poderia procurar. Acompanhava o seu site. Consultava-o antes de arriscar qualquer filme. E acompanhava também o seu blog, tão brilhante, íntimo e elegante. Inevitavelmente, afeiçoei-me a ele. É incrível como ele tinha esse poder. Nunca havia alimentado tanto carinho por um artista. Sim, Roger era um artista. Considerava-o como um amigo que morava muito longe e com quem eu me importava bastante. Acho que isso acontecia porque, além de ser dotado de um talento gigantesco, Roger escrevia com paixão e honestidade. Muita honestidade. Por tudo isso, ele ficará marcado para sempre em minha memória afetiva como alguém que ajudou a expandir a minha percepção sobre arte e como um amigo querido que nunca conheci.”

Poderia ter me saído melhor. Mas não há nada pior do que a pieguice. E não vou cair nessa.

Passei os últimos dias lendo muitas coisas sobre Roger, mas o fato é que eu precisava voltar para Juquinha. Ele acabou de nascer e provavelmente vai morrer depois de mim e “da maioria das pessoas que agora leem isso”. Assim como eu estou vivo agora e Roger não.

“Oh, meu Deus, eu não existo de verdade. Eu posso partir a qualquer segundo.”

Mas o que é bacana, e me faz pensar sobre um monte de coisas, é que Juquinha vai guardar esse vídeo por muito tempo. E dividimos aquele sorriso enquanto ele vinha em minha direção. Posso me ouvir. E ele poderá também.

Meu sorriso ecoará com o de Juquinha por alguns anos. É uma bela cena. Roger certamente concordaria. E que Juquinha me perdoe por Patati e Patatá. Estou certo, porém, de que bastará o contexto de um vídeo como esse para leva-lo ao mais intenso estado de nostalgia. E que depois a nostalgia vire melancolia, como deve ser.

Notas:

O site de Roger Ebert: http://www.rogerebert.com/

O seu blog (Que parece fora do ar, enquanto posto): http://www.rogerebert.com/rogers-journal

O site de Pablo Villaça: http://cinemaemcena.com.br/

O seu blog: http://www4.cinemaemcena.com.br/diariodebordo/

Algumas músicas da trilha de “Onde Vivem os Monstros”: Rumpus Reprise / Igloo / Lost Fur (Essa última não ia entrar no vídeo de Juquinha. De jeito nenhum. Mas é a minha preferida. O filme é incrível. Crítica do Pablo e Crítica do Roger.)

Song For Bob, da trilha de “O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford” (Não achei crítica do Pablo e Crítica do Roger.)

 
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Publicado por em 9 de abril de 2013 em Licença Poética, Match Point, Porta Retrato

 

Quem mora no interior, vai buscar o interior

Já vou embora. Não daqui do blog, claro. Vou continuar postando nem que eu precise mudar o dia.
Os caminhos que a vida (essa vaca!) nos dá, nunca são como a gente pensa. Pelo menos como eu pensava.
A saída nunca é onde eu imagino.
Mas a gente vai levando.
Amanhã é dia de ir embora, ou ir em frente.
Ainda passa muita coisa pela minha cabeça, mas a vontade de desistir já não é uma delas (para as coisas, poesia!)…
Vamos nos falando!

Olhou pro céu, clareou!
E o amor baila no ar…