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Arquivo mensal: dezembro 2011

O Trânsito

OK, passei tempo demais no interior e esqueci a arte de dirigir na capital. Mas quem vive dois mundos, obviamente quer o melhor dos dois, não? Em se tratando de trânsito, o melhor é aquele em que dificilmente é engatada a quarta marcha.

Soteropolitano nato, eu necessito do vapor salítrico e característico da umidade de nossa cidade, do sabor da culinária e do azeite de “mainha”… Portanto pego a estrada para a capital todas as sextas, para o meu confortável apartamento e aos braços de uma linda morena que virtuosamente aprendeu a me tolerar.

Na cabine do pedágio da estrada, a moça já prevê como será a jornada: “Deus te acompanhe”. Por mais rápido que eu fosse, Murphy me diz que sempre existirá um carro mais potente e um motorista mais louco.

Mas finalmente chego à região do shopping Iguatemi, muito contente afinal, em casa. Não tecnicamente minha casa, mas tudo que estive querendo ao seguir viagem estava na minha frente. Ao menos até um taxista me fechar com um dedo em riste. Ah! Decidi que aquilo não iria tirar meu bom humor, precisava dele para escrever para o este Blog…

Começo a descobrir que o mapeamento dos buracos que fiz na semana passada não é mais válido, eles transladaram-se misteriosamente. Descubro também que as motos pop100 têm placas que são facilmente dobráveis, caso algum desavisado leve seu retrovisor e não queira ser identificado… Que os congestionamentos me tomam mais tempo que a própria estrada… Ufa!

Ah! Depois de dois pneus perdidos e duas jantes empenadas; um retrovisor perdido e muita animosidade trocada… Como é bom estar em casa!

Feliz Ano Novo a todos!

 
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Publicado por em 29 de dezembro de 2011 em Mundo cão

 

Dias de Paz

Os dias de paz são todos iguais e
Um guerreiro só se sente feliz em combate.
Só o conflito acalma uma mente inquieta,
Só a trincheira acomoda um coração hostil,
E só a vida sacia um ser verdadeiramente vivo.
Serenidade é pra poucos e eu sou como muitos.
Muitos buscam aquilo que , por engano, acham.
Eu não procuro por nada, por isso não acho nada de coisa alguma.
Hoje sei que não devo nada rebuscar. Simples enfim.
Minha mente, a presa, plana como pássaro faminto à caça.
Meu coração bate forte pra tentar acordar a si próprio.
Sereno…? Só quando na noite o sereno vem.
Hastear bandeiras e enfileirar tropas é o ofício do general.
Invadir território inimigo já não me serve mais. Não me é servil.
Desbravar minhas próprias trincheiras. Eis a minha Santa Guerra!
Minhas frontes que suam, suam por serem frontes.
Meu prazer é ser vivo e como é difícil ser vivo a cada dia.
Prefiro o canto da morte à viver pelos cantos como um morto vivo.
Prefiro, apenas, ter dias diferentes à paz indiferente dos dias iguais.
Declaro guerra a mim mesmo e a todo o Pacífico.
Encontro no mais recôndito esconderijo da mente
Sinais mais claro e evidentes das minhas próprias mentiras.
Meu coração pulsa, minha mente pulsa, minha alma pulsa…
Mas com o pulso firme mantenho-nos pulsando.
Com o espírito inquieto abro trincheiras sucessivas,
Do coração distinto faço leal distintivo
E nos dias iguais faço da paz coisa diferente.

auto retrato

 
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Publicado por em 29 de dezembro de 2011 em Licença Poética, Pior é na Guerra, Pseudo Cult

 

Contra a auto-sabotagem

A minha vida toda eu me achei gorda. Mesmo quando eu estava em forma, alguém tinha que me convencer que eu era uma bolinha. Na minha infância, meu pai e meu irmão se incumbiram dessa parte. Eu tinha apelidos bem carinhosos, do tipo “Gords” e “La Banha” – esse último dura até hoje e Lucas não tem o mínimo receio em me chamar assim na frente de namorados e amigos. Com o tempo eu aprendi a relevar. Hoje, olhando pra fotos antigas, eu vejo que a realidade era tão diferente. Não que eu fosse o tipo de criança magrinha, mas tava tudo no lugar, pô!

Com mais ou menos 14 anos, eu emagreci bastante. Basicamente, eu parei de comer. Começou com uma paixonite por um menino e, quando eu vi que a falta de fome me fez perder uns quilinhos, eu ganhei gosto pela coisa.  Passei a comer pouco e como eu tava longe de ser esquelética, ninguém percebeu muita coisa. Lembrando da época, posso dizer que eu tava gostosa.(ahhh, deixa eu me achar um pouquinho, vai!) Peitão, bundão, coxão e zero de barriguinha. (kkkkkkkkkkkk!) Eu me sentia muito mais satisfeita com meu corpo, mas ainda sim me achava gorda. É que a maioria das minhas amigas eram super magras e eu sempre achei – e ainda acho – que era assim que eu tinha que ser.

auto sabotagem

Essa história de quase não comer foi me fazendo mal. Eu me sentia tonta e fraca frequentemente e volta e meia tinha uma gripe ou uma infecção na garganta. Percebi que não tava dando muito certo e voltei aos velhos hábitos. Resultado: alguns bons quilos a mais.

Falando assim parece que eu sempre fui neurótica com meu peso, mas não é bem assim. Não posso dizer que me aceito plenamente, mas não sofro muito com isso não. Acho até que seria bom se eu me incomodasse mais, quem sabe eu não me mobilizava e resolvia malhar ou fazer alguma dieta louca em que se perde 7 kg em uma semana.

Na verdade, o que eu quero dizer com tudo isso é que nem sempre a gente enxerga que não tem nada de errado conosco e, por enfiarem todo tipo de minhoca nas nossas cabeças, nos tornamos inutilmente infelizes. Outras vezes, não reconhecemos o que temos de bom e nos convencemos que a grama do vizinho é muito mais verde. Claro que ter auto-estima nesse mundo cão que a gente vive é semi impossível, mas tomei a decisão de que vou parar de me desmerecer e começar a enxergar minhas qualidades (se todo mundo tem, eu também devo ter alguma, né?!), ainda que me cérebro tente me convencer que é como procurar agulha no palheiro. De todos os conflitos que podemos enfrentar na vida, o pior deles é a auto-sabotagem.

Um beijo procês e até quarta que vem!

 
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Publicado por em 28 de dezembro de 2011 em Falando Sério, Porta Retrato

 

Algo precisa ser feito

A cada novidade na área de educação, fica mais evidente que tudo não passa de uma maquiagem para que o povo, que adora mentira, fique satisfeito. Na verdade em qualquer área. Os bandidos – que usam arma ou andam de terno – sempre conseguem um jeito de se encaixar na novidade.

Meus instrutores no curso diziam que não há nada ruim que não possa piorar.
E eu achei que estivesse falando só do traquejo e sofrimento do curso. Nunca pensei que isso também vale para o tipo de governante que podemos ter.
Acho que a vantagem de hoje é saber que não há mais para onde descer nesse poço. Ou talvez tenha. Nunca se sabe.

Mas quando ouço pessoas assim fico tranquilo porque não sou o único louco, então.

 
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Publicado por em 28 de dezembro de 2011 em Pior é na Guerra

 

Ah o Verão!!!


Tempo bom! Tempo de praia, de mar, de cerveja, de festa, de curtição e, principalmente, de sol! E como eu amo o sol!!! O sol traz uma sensação de vida né? De vida colorida, brilhante, tudibom!! Acontece que como “tudo demais sobra” como diria meu pai, o Sol por tempo demais, numa posição só, sobra também. E como sobra.  Acontece que hoje eu fui para meu querido Porto da Barra na seca de praia e sol! Fiquei por tempo demais tostando com o melhor óleo bronzeador de cenoura comprado lá mesmo, por cinco reais. É, eu sei, eu sou doida, e o cancer de pele e pererê. Mas eu não tava nem ai, queria curtir meu sol em paz sem me preocupar, porque estou na Bahia, e (perdão pela rima) queria mesmo era alegria.

Resultado: ganhei uma insolação de leve, to toda ardida e com o hidratante na geladeira (#fikadica). Mas to feliz demais! E amanhã tem mais porto! Bora?? Pra a sombra e com protetor solar 😉

 
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Publicado por em 27 de dezembro de 2011 em Porta Retrato

 

Agora vou ser otimista e falar sobre trivialidades

Boa noite.

Isso é errado. Não deveria escrever “boa noite”. Não sei que horas você vai ler isso. É como naqueles vídeos institucionais que eu edito em que o cara sempre diz boa noite. Mas o cara está certo. Porque normalmente esses vídeos passam a noite. Eventos normalmente acontecem à noite. Mas nem todos os eventos. Noites são importantes. As pessoas saem e fazem coisas. Comemoram. Alguns dos meus vídeos institucionais passam a noite. Ok, todos. Todos.

Eu não saia muito. Aí comecei a sair. Ultimamente tenho acordado com dor de garganta. Muita cerveja. E eu nem gosto de cerveja.

Eu não sou muito esperto. Deveria deixar as pessoas dizerem boa noite nas merdas dos vídeos. Merda, quem eu penso que sou? Eu não tenho o direito de proibir as pessoas de falarem boa noite em vídeos institucionais que irão passar em eventos. Não tenho. Nunca terei. Isso é uma merda.  De agora em diante eu vou incentivar os boas noites. Sim.

Boa noite. Meu nome é Marcus. Marcus Vinícius. Minha mãe diz que eu devo me apresentar assim. O problema é que eu gosto do meu sobrenome, Curvelo, e eu não acho que Marcus Vinícius Curvelo tenha uma boa sonoridade. Talvez tenha. O segundo problema é que Marcus foi idéia de meu pai e Vinícius de minha mãe. Ou seja, reneguei completamente as escolhas dela. Meu pai leva toda a vantagem aqui. Ultimamente venho descobrindo um monte de curvelos. Isso me irrita um pouco. Tem um maldito André que leva toda a fama. “Você é sobrinho /filho/irmão/primo/pai/amante de André?” Não! Droga. Dane-se esse maldito André. André Curvelo, dane-se se estiver lendo isso. E todo mundo pergunta se é “Curvello”, invés de “Curvelo”. Bosta. Se fosse “Curvello” todo mundo iria escrever “Curvelo”.

Penso em ter um novo nome, mas isso seria estúpido. Aí eu brinco com essa coisa do curvelus. É estúpido de qualquer maneira.

Aí o ano acaba. E eu tenho um violão velho e não sei tocar. Eu não faço exercícios físicos regularmente há quatro anos. Não corto o cabelo há cinco meses. Compro filmes e não assisto. Compro livros e não leio. E isso acontece todos os anos. O cabelo. Normalmente deixo crescer no verão. Na verdade não é um “deixar crescer”, mas um “deixar de cortar”. Mas então, normalmente deixo de cortar no verão. Não tem nenhum motivo específico. Acontece. É quando eu não corto. Eu não preciso seguir o cronograma do universo. Não preciso cortar só porque está quente. E ele não fica tão grande assim. Eu tinha uma boina legal pra cobrir, mas roubaram. Sempre me roubam. A primeira vez foi uma bicicleta. Não chegaram a levar, tudo bem, mas foi a primeira tentativa. Estava voltando da escola e tentaram me roubar. Dois caras. São sempre dois caras. Eu gritei socorro. Umas pessoas olharam e eles fingiram que não eram ladrões e me ajudaram a pegar o meu boné do chão. Era um boné bacana que eu tinha comprado no Rio. Meu pai comprou pra mim, eu era criança. Depois eu corri deles com a bicicleta.

Coisas estranhas sempre aconteceram comigo. Sempre houveram fases. A maioria de desventuras. Não. Isso é injusto. Mas é engraçado como as coisas se sucediam às vezes. Depois dessa primeira tentativa de assalto tudo dava errado com a bicicleta. Sempre caia, atropelava alguém, furava o pneu, tentavam roubar de novo. Teve um dia que eu quase fui atropelado. Arranquei o retrovisor de uma mulher com meu guidom. O filhinho dela ficou assustado. Eu fugi. Traumatizei a criança. Meu Deus.

Eu acredito que as coisas voltam. Eu era um péssimo motorista. Bati em alguns carros estacionados. Sim, eu fiz isso. Pelo menos três no meu primeiro ano de carteira. O que aconteceu depois? Bateram em meu carro estacionado várias vezes. E eu aceitava. “Eu mereço”. Isso é algo positivo em mim. As pessoas dizem que sou tranquilo, mas na verdade eu aceito as coisas. Sou o culpado por tudo que acontece de errado.

Voltando ao ano novo. Eu tinha aquele discurso batido de que era só a passagem de um dia para o outro, que era estúpido comemorar, que nada muda e que as pessoas são idiotas por achar que em janeiro terão uma nova chance para recomeçar as suas vidas. Mas não é bem assim. Pelo menos esse ano. Existe aquela sensação de passagem. Os últimos meses foram intensos, como se eu tivesse dado uma arrancada para chegar bem na linha de chegada. Linha de chegada imaginária marcada pelo mês de dezembro. Mês que sempre achei esquisito e melancólico. Não pelo Natal, pois não sinto nada por ele há muito tempo, mas pela passagem. É normalmente quando as coisas acabam. O colégio. A faculdade. O recesso do trabalho.

Ao mesmo tempo gosto de quem fala que 2012 vai ser pior. Claro que vai ser melhor para algumas pessoas. Claro. Só aprecio a honestidade de quem sabe que vai ser pior. Eu tenho expectativas. Sempre tenho. E isso me prejudica. Por que quando você cria muitas expectativas acaba se poupando para viver de verdade quando alguma delas, ou até todas, sejam alcançadas. Resolvi fazer um curta sobre isso. Já havia falado dele nesse post: https://varrendoasala.wordpress.com/2011/12/06/nao-estou-aqui/

Algumas pessoas me deixaram verdadeiramente emocionado com as suas respostas ao filme. E já valeu a pena ter feito. De verdade. Acho que vou terminar minha participação no blog em 2011 com “Não Estou Aqui”. Acredito ser a melhor maneira de estar, pois suas gravações representaram os momentos em que mais estive. Aqui.

Nota: Ramon Mota Coutinho,”amigo e colega da labuta super independente do cinema”, escreveu coisas muito bacanas sobre o filme. Aqui: http://cualcinema.blogspot.com/2011/12/do-lado-da-presenca.html

Nota 2: O filme ficou pretensioso e ganhou trailer. A versão completa se ausenta temporariamente.

 
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Publicado por em 27 de dezembro de 2011 em Falando Sério, Match Point, Porta Retrato, Pseudo Cult

 

Os alquimistas estão chegando!

Jorge Ben - A Tábua de Esmeralda (1974)

Jorge Ben - A Tábua de Esmeralda (1974)

“Senta, senta!”. É assim que o álbum A Tábua de Esmeralda começa. Parece estranho o pedido, por se tratar de Jorge Ben, afinal quem conseguiria ficar sentado com todo o swingue que esse carioca consegue imprimir em suas músicas? Sento não! Levanto e o aplaudo por ter presenteado o mundo com esta pérola da música brasileira.

“Manda quem pode, obedece quem tem juízo”, diz o dito popular. E quem manda é Jorge Ben. Eu só obedeço. Sento e escuto o álbum do começo ao fim, sem precisar estar em pé me remexendo diante do balanço de suas músicas. Sim, é perfeitamente possível. Este não soa (para mim) como outros álbuns do mesmo compositor, junto com a Banda do Zé Pretinho ou com a Admiral Jorge V, onde realmente é impossível ficar quietinho e parado. Neste, Jorge (o Ben, não o da Capadócia!) se considerava um fiel adepto ao alquimismo, e por todo o álbum estão espalhadas diversas interpretações dele quanto aos seus estudos de alquimia.

Uma estranha parceria se estabelece na faixa Hermes Trimegisto e Sua Celeste Tábua de Esmeralda, Jorge Ben e o faraó egípcio Hermes Trismegisto, que teve os seus textos traduzidos pelo alquimista contemporâneo Fucanelli. Hermes era chamado de Três Vezes O Grande e seus escritos foram encontrados pelos soldados de Alexandre da Macedônia na Pirâmide de Gizé, grifados com uma ponta de diamante numa lâmina de esmeralda. Várias traduções foram feitas sobre este tratado, e a de Fucanelli foi considerada a melhor delas.” [Wikipedia]

É nesse álbum também que encontramos a fórmula mágica da beleza masculina! Moças, com aquela gravata qualquer homem feio vira príncipe, simpático! Tudo por conta daquela gravata maravilhosa, inigualável! O homem da gravata florida, sem dúvidas, uma das minhas faixas prediletas. Mas a Minha teimosia, uma arma pra te conquistar consegue me transportar a uma época que eu não vi, não vivi, mas consigo presença garantida. Uma preciosidade, embevecida de toda a malandragem masculina (“Minha amada, minha querida, minha formosa / Vem e me fala que eu sou o seu lírio e você é minha rosa“)!

Não poderia deixar passar em branco também a faixa O namorado da viúva! Afinal, todo mundo na cidade apostou que o dito cujo não daria conta do recado, já que a tal ostentava tamanho dote físico e financeiro… “Que viúva é essa que todos querem mas tem medo, tem receio de ser dono dela?“. Deus benza… Mas será que vence o encanto da Menina-mulher da pele preta? Ela, dos olhos azuis, do sorriso branco, da pele preta… Ai, ela sabe que eu fico a olhar… com malícia…Não me deixa dormir sossegado… com malícia… Nossa…

Enfim, é baixar e ouvir esse disco sensacional de Jorge Ben, de São Jorge, de Ogun… Salve! Taí 40 minutinhos de prazer para vocês. E me pré-despeço de 2011, desejando a todos boas festas para recepcionar 2012 com muita felicidade e paz em vossos corações e espíritos. No ano que está chegando haverá mais presentes semanais para todos os gostos, para todos os sorrisos, para quem é de uma boa noite e para quem é de um bom dia! Até breve, rapeizi!

Um link para baixar A Tábua de Esmeraldahttp://www.megaupload.com/?d=5GFE6007

 
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Publicado por em 26 de dezembro de 2011 em Musicalizando