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Arquivo da categoria: WTF?!

Como se fosse um sonho…

Em 2008 eu entrei no mercado imobiliário para estagiar numa grande empresa. A empresa estava ainda iniciando os trabalhos no estado e chegou investindo forte em infraestrutura e captação de clientes, por isso tinha um setor de atendimento e marketing forte.
Eu consegui a vaga pelos meus conhecimentos em Estatística, e comecei no “sub-setor” de Pesquisa/Inteligência de Mercado. Mas fui “convidado” a participar dos lançamentos, com a ideia de que era o melhor caminho para conhecer os “dinossauros” do mercado, mostrar a cara e ascender na empresa e no mercado.
O mercado estava muito forte, lançando mais que o dobro dos cinco anos anteriores somados, e os eventos eram muitos e os investimentos nestes eventos eram fora de série. Shows de grandes artistas nacionais (como Nando Reis e Dinho Ouro Preto), presença VIP de atores e atrizes globais, e eu lá, me sentindo um estranho no ninho.
Num destes eventos, este presente uma famosa atriz global, tirando fotos e distribuindo beleza e sorrisos no evento. Eu sempre tive certa rejeição inicial a pessoas famosas, e com ela não foi diferente, mesmo ela sendo uma das musas da minha adolescência, quando assistia malhação.
Eu sempre tive a sensação de que aquele sorriso era de plástico. Era escolhido depois de várias tentativas na frente do espelho ou de um fotógrafo.
Com ela não foi diferente, cada sorriso era uma sensação de falsidade que vinha e eu imaginava que ela estaria odiando estar ali, tirando fotos com todos aqueles corretores suados e mal educados. Não que eu achasse o máximo estar ali, eu só achava que a pessoa pra fazer este tipo de trabalho tinha que gostar do que faz. No mínimo achar jocoso.
Tanto era assim que, geralmente, quando o público diminuía, a presença VIP não ficava mais do que 10 minutos e corria para a van, onde ficava até ir embora, para hotel, presença VIP em outro lugar ou reunião com os chefes.
Para a minha surpresa, ela ficou. Foi super-simpática com o pessoal que ficou. Tirou fotos e mais fotos com os garçons, estagiários, até pensei em tirar também, mas resolvi não trair minhas ideologias.
Neste dia, após o evento iria ter um jantar dos chefes com a presença VIP da atriz e, para a minha maior surpresa, o chefe convidou até os estagiários para a mesa grande.
Como estagiário fica com o trabalho mais pesado sempre, eu sentei logo. E como alguns chefes, só se juntam aos estagiários a contra gosto, eles foram sentando longe e as cadeiras foram se acabando. No final das contas, a última cadeira disponível era ao meu lado. E não é que a loira VIP sentou ao meu lado? Tudo bem que até estagiário tinha que usar terno e gravata, e isso nos “camuflava”.
E ela super aberta à conversa, falava com todos os presentes (principalmente respondia a perguntas) e, vez ou outra, fazia uns comentários até interessantes sobre as perguntas. Era engraçado porque eu estava ao seu lado e ela falava baixo, às vezes sussurrava bem de perto, o que gerava olhares inacreditáveis do pessoal ao redor, o que também mereceu comentário dela.
Acho que a minha maneira de lidar com a situação a agradou, a nossa conversa era muito menos formal do que era com o restante do pessoal. E a surpresa maior ficou para o final, quando ela pediu meu número e deu um “toque” para que eu salvasse o seu.
Esta foi a hora em que a minha perna amoleceu. Fiquei tenso. Não entendi o motivo d’ela ter pedido e tinha a certeza de que ela não iria me ligar nunca. Cheguei em casa e entrei no MSN pra contar pro amigo mais próximo que estivesse online, aquilo não poderia morrer comigo!
Infelizmente não tinha ninguém próximo online e eu fui deitar, mas antes de dormir eu precisava olhar a minha agenda e conferir se era verdade. E, aí meu coração disparou, tinha um SMS dela, de cinco minutos antes. O sono foi embora.
Trocamos umas cinquenta mensagens até o “boa noite” (felizmente eu tinha pacote de mensagens que não me deixou ficar sem crédito).
O dia seguinte era domingo e, mesmo assim trabalhei. Morri de vontade de ter mandado mensagem de “bom dia” ou de “boa viagem”, mas não tive coragem suficiente.
Já estava perto de escurecer e eu já saindo do ShowRoom, quando meu celular apita. Ela não tinha conseguido pegar o voo devido ao mau tempo em SP e perguntou se eu não conhecia um lugar que tivesse comida mexicana boa. Eu não entendi se era um convite ou se ela só queria o nome, dei o nome. Claro. Sei onde é o lugar do estagiário.
Mas ela só sabia chegar na praça próxima ao restaurante e perguntou se eu não poderia ir com ela a partir desta praça. E eu disse que ia em casa pra tomar um banho e a esperaria na praça.
No horário combinado ela chegou e fomos andando até o restaurante. Com vários olhares. Eu tive que perguntar como ela aguenta todo mundo olhando o tempo todo. Ela explicou que já é assim desde sempre, acabou se acostumando.
Chegamos no restaurante, que eu acho ótimo pela pouquíssima iluminação, sentamos numa mesa de canto e após o pedido do prato, ela chegou mais perto e aproximou o rosto. Ao sentir a sua respiração eu senti um cheiro nada agradável. Pior ainda foi que ela começou a passar sua língua em mim. Mas o pior de tudo foi que eu acordei com Tobias, o Cocker Spaniel da casa, lambendo.
Foi o melhor sonho e o pior despertar da minha vida.

 
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Publicado por em 19 de março de 2015 em Pior é na Guerra, WTF?!

 

O tipo de coisa que escrevo no twitter

Penso em voltar para lá e continuar a ser brilhante.

Sorte do dia: Não existe sorte do dia.

Tutoriais de pessoas de 13 anos. Me sinto bem. Capaz

Vou parar de procrastinar em algumas horas.

Confeccionando propaganda enganosa.

Agora buscando um layout antigo para reciclar. Está sendo um bom dia.

Ok. Todos os meus layouts já foram reciclados.

Vou fazer jornalismo.

Os emails da Catho são bastante persuasivos. Quase tenho vontade de procurar um emprego.

Todo mundo sempre parece mais ocupado do que eu.

Meus emails sempre começam com “Infelizmente”, “Desculpe a demora”, ou “Eu não pedi esse massive penis enlarger”.

Vou terceirizar minha vida profissional.

Tem um inseto enorme me incomodando. Acho que vou deixá-lo entrar no meu cabelo e resolver isso amanhã.

“O mercado esta aquecido. Volte para a Catho Online.” Ok.

Sy Ableman was a serious man. http://www.youtube.com/watch?v=d2XctcZRWyw

“Ei! Menino do fusca! Tem uma blitz ali na frente.” Não entendi.

Há tempos não ouço ninguém dizer a palavra “mutchaco”. “Fique longe, eu tenho um mutchaco”, ou “Cuidado, ele tem um mutchaco”.

Tente dizer mutchaco várias vezes. Agora escreva. Não faz o menor sentido. Não faço a mínima idéia do que significa. Mutchaco.

(o\_!_/o) Fusca.

Pronto para marketizar o meu dia.

Tem uma goteira no meu carro.

Eu sonhei que era feito de abacate, explodia e sujava a janela do meu quarto. Analista?

“Prezado Marcus Curvelo, Conforme conversa por telefone, segue o manual para o seu kit de penis enlargment com fotos ilustrativas.”

 
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Publicado por em 14 de maio de 2013 em WTF?!

 

Tundum pá tssss

Mulher fala pelos cotovelos, sempre rola a conversa em que fevereiro é o mês que elas falam menos. Elas pensam pela boca. Desde pequenas.
Desde sempre aprendem a falar o que pensa, falar seus planos, seus sentimentos, amores, sonhos, ciúmes…

femea_gaivota

Acho que é a busca pelas respostas. Elas vão soltando palavras e esperam o eco com estas respostas. Elas acham que desse eco vem os insights que a salvarão da perdição.
Elas enlouquecem com os moços que falam pouco, ou quase nada. Elas fazem mais terapia que nós homens. Tadinho dos analistas.

mulher fala muito

Mulheres falam toda sua vida para um estranho numa fila qualquer. É só esta fila durar dez minutos. Conversar reorganiza as idéias deste cérebro maluco que elas tem.
Então elas conversam com a amiga que enche de conselhos certos e errados, com o namorado que se esforça pra se manter acordado ou com o travesseiro mesmo. É só o eco que elas esperam.

QUE TIPO DE MULHER É VOCÊ _thumb[1]

Claro que elas só não falam quando a gente quer. E aí, só Freud (de quem tenho sérias dúvidas de sua masculinidade) explica.

 
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Publicado por em 6 de maio de 2013 em Guerra dos Sexos, Pior é na Guerra, WTF?!

 

Só se vê na Bahia…

Gente que sofre e chora (de verdade!) ouvindo “Fulaninho e seus teclados” está até normal depois de “Pablo, o Mito!”, mas existem coisas no interior que ainda me deixam deslumbrado (ou intrigado)…

Lua cheia nascendo deslumbrante, mesmo sendo atrás da serra e não no mar… o sol se pondo idem…

lua cheia na serra

Restaurante que fecha para almoço (?!?!)

Ter mais jegues e cavalos do que cachorros e gatos na rua…

jegue na rua

Casas sem divisão de cômodos mas com sua parabólica

parabolica na roça

Sky HDTV com 6 pontos… e as pessoas continuam assistindo Globo, mesmo com Sky ¬¬

O nome “Roupa Domingueira” voltando a fazer sentido hauahuahaahueha

Academia por 30,00 (a mais cara)

Ser obrigado a “bater o baba” calçado (eu sofro tanto)…

Depois continuo lembrando das coisas loucas daqui, agora partiu descansar porque a academia (de 25,00) me matou!

 
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Publicado por em 29 de abril de 2013 em Chuta que é Macumba, Mundo cão, Pior é na Guerra, WTF?!

 

Quem mora no interior, vai buscar o interior

Já vou embora. Não daqui do blog, claro. Vou continuar postando nem que eu precise mudar o dia.
Os caminhos que a vida (essa vaca!) nos dá, nunca são como a gente pensa. Pelo menos como eu pensava.
A saída nunca é onde eu imagino.
Mas a gente vai levando.
Amanhã é dia de ir embora, ou ir em frente.
Ainda passa muita coisa pela minha cabeça, mas a vontade de desistir já não é uma delas (para as coisas, poesia!)…
Vamos nos falando!

Olhou pro céu, clareou!
E o amor baila no ar…

 

Complicação com desfecho otimista

Homem Elipse: Tenho tido deja vus de coisas que nunca aconteceram.

Homem Parábola: Tudo já aconteceu alguma vez.

HE: Eu estava nu. E estavam quebrando o piso da sala. Isso nunca aconteceu.

HP: Você nunca mudou o piso da sala?

HE: Nunca.

HP: Alguma coisa já aconteceu na sala, tenho certeza disso.

HE: Provavelmente. Mas os pisos sempre foram os mesmos.

HP: Não importa. E você está nu o tempo todo. Isso não significa nada.

HE: Não estou nu o tempo todo.

HP: E depois? O que acontece?

HE: Nada se concretiza. Nunca.

HP: Não há nada para se concretizar.

HE: Olhe os meus dedos, por exemplo. Eles sempre inflamam. Nos cantos, de tanto arrancar aqueles pedaços de pele em volta das unhas.  Isso sempre aconteceu e sempre acontecerá. Não tenho perspectivas.

HP: Escreva um texto para o seu filho que ainda não nasceu.

Homem Elipse não sabia o que escrever. Sabia que não teria capacidade de se reproduzir. Morreria muito antes disso, com certeza.

Eu me pergunto se você vai ler isso tudo algum dia. Se vai achar os textos originais em algum HD antigo.  Que impressão está tendo? Quem sou eu, para você? Quantos anos você tem? Minha vida profissional está um lixo, mas tenho novos pisos na sala. São os melhores pisos que poderia ter. Mas não sei se isso significa alguma coisa, tendo em vista que considero lixo tudo que comprei anteriormente. Um amigo, que também comprou pisos novos, me disse que precisamos mudar sempre.  Concordo com ele. Só não consigo colocar isso em prática.

Minha moto está totalmente destruída, mas está sendo reformada e talvez dure por um tempo. Ela ainda existe? Sou péssimo em ciências exatas. Costumava imitar Marlon Brando personificado como Don Corleone em “O Poderoso Chefão”.  Compro dezenas de livros e demoro anos para ler todos. Sou preguiçoso. Muito preguiçoso. Nunca mais pratiquei esportes. Estou sedentário. Não estou gordo ainda. Acho que não tenho “tendência”. Optei por um novo corte de cabelo desde o ano passado. Está maior agora. Hoje em dia as pessoas vendem apartamentos como se fossem bananas, mas, mesmo assim, ainda moro de aluguel. Você precisa ter um emprego estável e ganhar razoavelmente bem para tentar financiamento. Vejo pouco os meus amigos, mas ainda tenho alguns. Passo mais tempo em casa do que fora dela, o que me da à impressão vazia de que eu preciso aproveitar mais qualquer tipo de coisa que esteja acontecendo.

Paro aqui. Vamos encarar isso como um parêntesis. O fluxo seguirá.

Após ler a carta, Homem Parábola convida Homem Elipse para presenciar a encenação da sua “Parábola do Homem sem Geografia”, que havia preparado para o seu filho de oito dias.

 
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Publicado por em 2 de abril de 2013 em WTF?!

 

Homem elipse toma vitaminas e vai de ônibus para o trabalho

Homem Elipse preparava-se para fazer flexões. As vitaminas que havia começado a tomar já faziam efeito. Conseguia dormir cinco horas por dia e não acordava com vontade de morrer. No trabalho, conseguia raciocinar pela manhã. Não pensava mais em dormir escondido no banheiro após o almoço. Anos de frustrações e demissões poderiam ter sido evitados. Ele agora sabia que sua preguiça mortal, quase paralisadora, era fruto de uma espécie de deficiência hormonal, ou outra coisa do tipo. O impulso de comprar as vitaminas veio após ter assistido uma matéria no telejornal, semanas antes. Um rapaz cadeirante de vinte anos pegava quatro ônibus por dia para trabalhar. Dois para ir e dois para voltar. Homem Elipse pegava taxi quase todos os dias, pois acordava às nove da manhã, com uma preguiça mortal, uma melancolia que ia além de uma mera indisposição.

Trabalhar é uma desgraça.

Um dia, pensou em atirar na própria cara, mas seria patético morrer por preguiça. Ainda não havia chegado aos trinta anos. Queria, ao menos, ver o progresso do garoto cadeirante, que, naquele telejornal de terça-feira, havia inundado suas entranhas com imensa culpa. Estava comendo miojo com queijo. Tinha trezentos e vinte reais na conta corrente. Noventa e dois centavos na poupança. E era tudo. O seguro desemprego havia acabado há dois meses.

Se eu não gastar muito eu posso esperar uns três meses para voltar a procurar emprego.

Sujo de queijo e de merda, Homem Elipse aguardava o programa esportivo enquanto assistia ao telejornal. As mortes banais. As mortes engraçadas. As mortes patéticas. As notícias seguiam as mesmas, até que o garoto cadeirante apareceu.

Eu preciso trabalhar. Vou tomar vitaminas e vou conseguir dormir menos. E vou acordar mais disposto. E vou fazer flexões. E vou ler mais. E vou fazer um curso qualquer. Todo mundo trabalha, junta dinheiro e faz um monte de coisas bacanas.

Ele pensava em fazer um curso de fotografia aos finais de semana para amenizar a mediocridade existencial que o resumia a uma atividade sem sentido durante quarenta e quatro horas semanais. Relatórios, sistemas, números, documentos, segundas vias, terceiras, vias, e-mails urgentes. Era como uma gincana qualquer. Muitas vezes custava a entender a maneira como o seu trabalho contribuía para as empresas em que trabalhava. Imaginava aquilo tudo sem ele e não via a menor diferença.

Talvez eu não mereça andar.

Era uma nova terça-feira, quando Homem Elipse acordou cedo, fez uma flexão, e foi de ônibus para o novo trabalho.

 
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Publicado por em 26 de março de 2013 em Match Point, Porta Retrato, WTF?!