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Arquivo mensal: fevereiro 2015

Saudade

A dama de vermelho

Ela já foi minha um dia. Tivemos uma relação um tanto quanto profunda. Ela já tinha quase quarenta e nos conhecemos pouco depois de meu último namoro e do seu último divórcio. Sim. Ela já tinha uma estrada. Uma filha que já tinha idade pra entender a situação. Dois ex-maridos que se odiavam, um ex-namorado que me odiava e eu que mal sabia como agir nessa teia.

Ela era cantora, professora, além de linda. E intensa demais. Dava aulas para alunos de 5ª e 6ª séries. Não cantava profissionalmente, apesar de não lhe faltar talento. Tinha dias que eu achava que estava apaixonado por ela. Mas era como uma vontade enorme de ser seu amigo. Ela era intensa mesmo. Duramos pouco mais de dois meses. Mas um tempo depois ela me achou no Whatsapp. Pediu pra me encontrar. Fomos num boteco conhecido. E ela começou a desabafar. Contou que vinha de um relacionamento ioiô. Pelo que ela contou (e pelo que eu conhecia dela), era uma relação doentia. Existia até uma ordem judicial onde o cara ficava impedido de ficar a menos de X metros dela. E ela dizia, chorando, que o amava. O cara quase quebra o seu braço. Roubava as coisas da casa dela. Ele a traía loucamente… E naquele dia ele nos viu juntos. Nem ficamos, mas ele não gostou da cena. Percebi que não tinha estômago pra isso. Era uma vida muito louca. Hoje ainda somos muito amigos. Virtuais.

* * *

A poderosa

Ela tinha acabado o seu último relacionamento de forma simples, porém sofrida. Dizia para si mesma que ia ficar bem sem ele. E acreditava. Acreditava que o amor não servia para nada. Se fez de durona, vestiu sua máscara de gostosona e assim nada lhe atingia.

Seu término foi sofrido sim. Mas só por dentro. Por fora, nada lhe abalava. Em sua atitude, homens viravam garotos. Descartáveis. Foi à forra. O primeiro que encostasse servia. Nada importava, nem o papo, nem a idade, nem o hálito de álcool, nem o endereço. Só queria mais um “otário” para apagar o drama de um fim de relacionamento. Um fim que é normal hoje em dia.

Mal sabia ela que nenhum daqueles “babacas” poderia suprir a carência que sentia. Ela só queria uma fuga. Qualquer pau que a satisfizesse. No dia seguinte ela poderia acordar com um “Que merda que eu fiz!” ou com um “Que foda boa do caralho!”, mas de qualquer forma, ela iria se sentir mal por ter feito.

Mas passou. Tudo sempre passa. E agora ela é outra mulher.

* * *

A dama de Áries

Ela é uma prima que morava em outro estado. Veio estudar na Bahia e não conhecia ninguém. Claro que eu, o caçula, que tinha que ficar encarregado de ensinar as linhas de ônibus, os lugares perigosos, as melhores praias, pra onde ela não podia ir, etc.

Claro que o fato dela ser linda, fez minha vida de guia local se tornar muito mais leve. Mas antes disso eu não a conhecia nem por foto e já estava puto por ter que, do nada, levar uma desconhecida pra passear. Depois do primeiro passeio, passamos a marcar encontros pelo MSN (aqui a velhice impera). E passamos a conversar sobre os mais diversos temas também. Como sobre o seu sotaque, que poderia encarecer o valor das coisas que ela iria comprar. Ela nunca tinha saído nem da sua cidade e estava num estado diferente, com costumes diferentes e tudo mais.

Acho que ela contou toda a sua vida já na primeira conversa. Contou até que ficava com um rapaz da mesma rua. Que ele tinha grana, era lindo e morava só. Mas ainda amava o ex que, segundo ela, era uma pessoa maravilhosa e que não entende o motivo do término. Que seu pai também gostava do ex. Que vivia falando mal do bonitão da rua. Que nunca teria o romance aprovado pelos pais. Mas, pelos adjetivos usados pelo pai, na minha cabeça ele não só era rico como usava camisinha XL e a fazia gozar 8 vezes por noite. Porque ela fazia mil estripulias para encontrá-lo.

No final das contas, eu lembro que disse que entendia cada vez menos as mulheres.
Como pode ela se esforçar tanto por um cara que nem era tão legal assim se ele nem movia um dedo para vê-la? Como ela não movia um dedo para ver o ex que era legal e que ela amava? Em outras conversas eu achei que fosse para confrontar o pai.

Depois que ela veio, disse estar morrendo de medo da solidão. Sem saber que a solidão é uma dádiva. É impossível ser feliz sozinho, mas é necessário ter um tempo de solidão pra valorizar os momentos a dois, a três, a dez, os aniversários, os encontros de ex-alunos e tudo mais.

Qual a relação entre o título e o texto? Nenhuma.
Qual a ligação entre elas? Nenhuma. Elas existiram? Talvez. Na minha vida ou em qualquer outro lugar do mundo. Não podemos exigir nem mesmo esperar que as pessoas tomem as atitudes que tomaríamos ou que desejamos.
Somos a soma de nossas decisões. E tomamos tantas decisões por todo tempo que nos distanciamos cada dia mais do que éramos. E isso é uma coisa maravilhosa!

Só queria ter um motivo pra escrever. Pela saudade do blog, pela alegria de ter meus amigos e amores, perto ou longe.

Quando fevereiro chegar…

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1 comentário

Publicado por em 26 de fevereiro de 2015 em Guerra dos Sexos